40 graus no sertão do Nordeste. É o início da catástrofe climática?

Se continuar esquentando, caatinga dará lugar a deserto

Cientistas especializados em clima apresentaram no domingo em setembro deste ano um relatório que expõe de que forma, nos últimos anos, o aquecimento global, o aumento de nível dos mares, a diminuição das geleiras e a poluição por carbono aceleraram. O relatório, apresentado durante Cúpula de Ação Climática das Nações Unidas, dia 23 daquele mês, destacou a disparidade crescente e evidente entre os objetivos e a realidade do combate às mudanças climáticas. Na data desta postagem, em Heliópolis, os termômetros chegaram aos assombrosos 40 graus. Será que precisamos de uma tragédia para acreditarem nos ecologistas?

Estamos brincando de ficar disputando o poder, vendendo ideologias inimagináveis e nos esquecemos de que a desgraça está próxima. Ela não será do poderio da esquerda ou da direita, mas uma vingança da natureza contra os maltratos impostos ao planeta nestes últimos séculos. O documento, elaborado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), inclui detalhes sobre a situação do clima global e apresenta tendências das emissões e concentrações atmosféricas dos principais gases que contribuem para o efeito estufa.

O relatório mostrou ainda que a temperatura média global média do período de 2015 a 2019 caminha para ser a mais quente de qualquer período equivalente já previamente registrado. Estima-se que o período seja 1,1°C mais quente do que nas eras pré-industriais (1850–1900). Quem vive neste sertão já sente na pele este aumento de temperatura. A saúde é a primeira a ficar abalada. Nenhum organismo resiste a amplitudes térmicas de 14, 15 até 18 graus. Problemas respiratórios de toda ordem fazem lotar as salas de urgências de postos médicos em todo o país.

Enquanto inutilmente discutimos se devemos andar armados ou não, se é humano ou não o homossexualismo, se o azul é masculino ou se o rosa é feminino, deixando para a história páginas e mais páginas de idiotismo ideológico, esquecemos cobrar dos governos o cumprimento das metas estabelecidas no Acordo de Paris de 2015. Precisamos exigir ações imediatas e abrangentes que englobam a descarbonização e outras medidas políticas substanciais. Precisamos remover o CO2 da atmosfera urgentemente! Isso não é ideologia política ou religiosa, mas uma necessidade humana de preservação do planeta para futuras gerações.

Os cientistas não se cansam de afirmar que apenas ações imediatas e abrangentes englobando a descarbonização profunda complementada por medidas políticas, a proteção e a melhoria de sumidouros de carbono e a biodiversidade e esforços para remover CO2 da atmosfera nos permitirão alcançar os objetivos do Acordo de Paris. E parece que ninguém está ouvindo.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

Deixe uma resposta