407 mortes em 1 dia ainda não assustam os críticos da quarentena

Mortes ainda não assustam aos adeptos do relaxamento da quarentena (foto: Gabriela Nolasco)

Parece que os adeptos do relaxamento do distanciamento social já estão vencendo a batalha contra a Covid-19. Hoje o Brasil conseguiu a marca de 407 mortes em um só dia provocada pela doença. É um número assustador, mas que não conseguiu despertar fortes emoções no novo ministro da saúde. Ele chegou a dizer apenas que não sabia se o número era fruto de um esforço de testagem ou se era um aumento real. Respondendo a uma pergunta, diante de números tão assustadores, não disse se era hora ou não de apoiar medidas de relaxamento, apenas jogou com a frase de que tudo tinha sua hora de acontecer.

Fato é que muitos estão cegos diante do real perigo imediato da pandemia e as mortes começam a acontecer de forma assustadora. O Brasil tem, até o momento, 49.492 casos confirmados de coronavírus, com 3.313 mortes. Na Bahia, testes já apontaram a contaminação de 1.845 pessoas até o momento. Destas, 62 morreram, ou seja, 9 mortes nas últimas 24 horas. Os casos estão espalhados em 108 municípios da Bahia. Em Sergipe, o governador Belivaldo Chagas já pensa em começar a afrouxar o confinamento social e enfrentou forte reação. O Ministério Público Federal – MPF-, o Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público do Estado de Sergipe recorreram ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região -TRF-5- para que o Governo do Estado seja impedido de flexibilizar regras de distanciamento social antes de aumentar a testagem e finalizar a ampliação do número de leitos para pacientes de covid-19. Sergipe chega, portanto, a 124 casos e 8 mortes. Há 15 pacientes internados e os números só aumentam.

Parece que, para os adeptos do relaxamento, desgraça pouca é bobagem. Começando pelo Presidente da República, que não sai de Brasília para prestar solidariedade às famílias, pelo menos nos lugares onde a doença se mostra mais presente. Estas pessoas tratam seres humanos como números. “Todos nós vamos morrer”, “Não adianta que todos teremos a doença”, “O que seria morrer 40 mil pessoas em 210 milhões?”. Estas são falas mais comuns que revelam o lado mais desumano em nome da defesa da volta da atividade econômica a pleno vapor. Há pessoas colocando postagens de pobres em casa, sem comida, num lar miserável, ao lado de figuras da política nacional, opositores de Bolsonaro, claro, comendo em restaurantes chiques. Em letras bem grandes, e vermelhas, aparece a expressão: “Fiquem em casa”. Pregam a falsa ideia de que, indo ao trabalho, vidas miseráveis vão triunfar, mesmo que isto não tenha acontecido até hoje.

Este discurso doentio esconde uma realidade estampada nos noticiários, mas dizem que é a imprensa que faz horrores; tenta desviar a importância do trabalho da ciência, dos profissionais de saúde, dos serviços públicos especializados e de pessoas comprometidas com o bem-estar dos brasileiros, mas a culpa é todo da histeria e do alarmismo da imprensa, que não mostra os números positivos da pandemia. Haverá sempre um culpado, menos os cabeças que pregam o relaxamento, afinal, pessoas morrem todos os dias. A gripezinha que matou hoje, somente hoje, 407 pessoas, é tratada por aqui com desdém por estes anjos da morte. Os 150 mil casos da Alemanha, geraram 5 mil mortes; os 50 mil casos daqui, geraram 3.300 mortes. É só fazer contas e se saberá que a Covid-19, no Brasil, mata o dobro da Alemanha. Mas isso parece não convencer e o chefe dos anjos da morte precisa usar sua foice para gerar sangue: coloca, então, a cabeça do Ministro da Justiça na reta.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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