5 milhões de venezuelanos deixaram o país

Milhões de venezuelanos migram fugindo do chavismo (foto: ONU)

Os números são assustadores. Uma população equivalente a um terço da população da Bahia ou superior á população do Uruguai. Ao todo, já se somam cinco milhões de venezuelanos que deixaram seu país para buscar uma vida melhor em outras plagas. E não se trata de uma diáspora por questões ligadas à natureza ou por livre escolha do povo daquele país. Não. É tudo por pura teimosia de um ridículo tirano que, abraçado ao trono, só encontra apoio nas vozes equivocadas de uma esquerda despossuída de um mínimo de ética, moral e honra.

A ONU – Organização das Nações Unidas – divulgou em janeiro deste ano um relatório com o número dos refugiados venezuelanos em todo o mundo. Naquela data, as cifras eram de 3,4 milhões até o final de 2018. Hoje, chega-se ao número absurdo de 5 milhões. Só para a Colômbia foram quase 1,5 milhão, outros quase 600 mil para o Peru, 300 mil para o Chile, 250 mil para o Equador, 150 mil para a Argentina e 110 mil para o Brasil.

Estes números são confiáveis porque há monitoramento diário feito por diversas organizações internacionais. O tema, inclusive, foi abordado num livro do sociólogo Tomás Perez: La Voz de la Diáspora Venezolana, publicado em 2015 pela editora Catarata, que tem números bem menores que os atuais, mas serve para explicar o fenômeno. De uma forma mais abrangente, foi publicado um relatório elaborado pelo Observatório da Voz da Diáspora Venezuelana, indicando que, bem antes de 2015, mais de dois milhões de pessoas deixaram a Venezuela, desde a chegada do chavismo ao poder. Para os Estados Unidos foram 450 mil, outros 300 mil foram para a Espanha. E a diáspora aumenta numa velocidade bem maior que o aumento da crise.  

 Por sorte, a América Latina é constituída de um povo solidário, com governos que buscam soluções, mesmo que temporárias, para minorar o sofrimento do migrante. Autoridades internacionais de imigração indicam que os países da América Latina e do Caribe abrigam mais de 3 milhões de venezuelanos, vítimas da crise imposta pelo chavismo. Em média, durante 2018, cerca de 5 mil pessoas por dia deixaram a Venezuela em busca de proteção ou de uma vida melhor.

A causa principal da diáspora venezuelana é hoje Nicolás Maduro. No seu governo foi possível ver, em números de 2016, quase 30 mil assassinatos no país. Além do alto nível da criminalidade, há desemprego, inflação incontrolável e desabastecimento. Maduro não estragou apenas o presente da Venezuela, mas o futuro em curto prazo. Só um governo com apoio popular e com muita ajuda internacional poderá, no médio prazo, colocar tudo novamente nos seus devidos lugares. Mas é estranho que, mesmo diante de tanto caos, ainda encontramos pessoas que, de alguma forma, procuram esconder a verdade debaixo de sua teimosia, e erguem bandeiras em defesa de uma figura grotesca e bestial como Nicolás Maduro.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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