Revista britânica vê Brasil superior aos EUA
Se tivesse sido o Contraprosa ou qualquer meio de imprensa no Brasil, os bolsonaristas logo taxariam de imprensa comunista. A polarização é tão grande que não se pode nem mesmo mostrar que, apesar de estarmos vivendo entre dois extremos, o país preserva sua democracia. A edição mais recente da revista The Economist traz o Brasil em destaque — e não é pouca coisa. Jair Bolsonaro aparece na capa, com o rosto pintado de verde e amarelo e um chapéu que remete ao “viking do Capitólio”, símbolo da invasão ao Congresso dos EUA em 2021. A imagem é provocativa, e o conteúdo, ainda mais.
A revista afirma que o Brasil está dando uma “lição de maturidade democrática” ao mundo, especialmente aos Estados Unidos, com o julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Segundo a publicação, o julgamento no STF, marcado para 2 de setembro, é um marco de responsabilidade institucional, além de lembrar que Bolsonaro está em prisão domiciliar e foi considerado inelegível. Há destaque ainda ao fato de a maioria dos brasileiros acreditar que ele tentou se manter no poder à força após perder as eleições de 2022.
Curioso é ver a revista britânica, fundada em 1843 em Londres para defender o livre comércio, dizer que Brasil e EUA trocaram de papéis ou estão “trocando de lugar”. Os EUA agem como mais corruptos, protecionistas e autoritários sob Donald Trump. Já o Brasil se mostra empenhado em proteger suas instituições democráticas, mesmo sob pressão internacional. É para qualquer brasileiro, nacionalista puro sangue, sentir orgulho do país.
E mais: a revista chama Bolsonaro de “Trump dos trópicos” e vê o Brasil como um “caso de teste” para países que buscam se recuperar de uma “febre populista”. Ela também destaca a reação firme do STF à tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, críticas ao excesso de poder do Supremo, que julga milhares de casos por ano, e a possibilidade de que o julgamento influencie as eleições de 2026. The Economist vê aquilo que setores da imprensa não conseguem, exatamente por representarem um lado, como outros não conseguiram enxergar os extraordinários serviços prestados pela Lavajato, apesar dos erros.