Poucas & Boas

Poucas & Boas 132: Continuísmo é a rotina que sufoca o futuro!

Perto da cassação

A prefeita de Araci, Maria Betivânia Lima da Silva, ou Keinha (PDT), pode ter o mandato cassado no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). O julgamento que apura a gestora eleita por denúncias de abuso de poder político e assédio eleitoral nas eleições de 2024 avançou nesta semana, colocando a gestão da pedetista sob risco de interrupção. Um discurso dela aos servidores foi o motivo: “Família 12, vocês não podem esquecer. Tem cargo de confiança, caminhando com vereador de oposição. Vou chamar de porta em porta e dar escolha, ou você quer a família 12 por inteira ou vaze. Não aceito que a família 12 vote em vereador da oposição“, declarou a gestora em um evento político. Isso dá cassação de mandato, mas compra de voto, como a que ocorreu em Heliópolis, é ato democrático. O placar está em 2 X 1 pela cassação, e faltam 2 votos.  

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Jerônimo não para

O governador Jerônimo Rodrigues não para. Foi ao município de Itiruçu, no Vale do Jiquiriçá, e entregou novas obras. Sistema de abastecimento de água, que integra cidades da região, foi a menina dos olhos. A agenda contou ainda com a inauguração do novo Shopping Popular, entrega de uma ambulância e de um veículo administrativo. Além disso, novas autorizações de obras. Pode o homem não aparecer bem nas pesquisas, mas o esforço para ganhar mais 4 anos está na cara. E a prática é a mesma desde Otávio Mangabeira: entregar obras e prometer mais. Não se muda uma estrutura social com práticas antigas, mas os resultados estão acontecendo, como sempre.

Chapa blá blá blá

Chega a ser ridícula a discussão em torno do formato da chapa do governo. Vai ser puro-sangue ou não? E quem foi que disse que o PT tem o mesmo sangue? Além disso, o vice é do MDB. Ângelo Coronel tem no seu nome o fator político que sempre comandou a Bahia. Poderíamos agora estar discutindo o que ainda não foi feito e é urgente fazer para melhorarmos este estado. Mas o que impera no debate é se a chapa é ou não puro-sangue. Enquanto Otto Alencar tira ouro do nariz nomeando parentes para cargos vitalícios, Ângelo Coronel tenta sobreviver como senador, apagado que sempre foi no cenário político nacional. Se ficar Rui Costa, a Bahia vai continuar perdendo como sempre fez. O objetivo nunca foi a Bahia.

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Continuísmo I

Se você procurar ler sobre o continuísmo nas práticas sociais verá que ele representa um risco porque cristaliza desigualdades, impede reformas necessárias e perpetua estruturas de poder que já não respondem às demandas contemporâneas. O continuísmo pode levar à estagnação política, econômica e cultural, dificultando avanços em áreas como educação, saúde e justiça social. Todos nós sabemos disso, mas na Bahia, em Heliópolis e no Brasil, o continuísmo é uma doença que já contaminou as esferas dos poderes. O velho senador coloca o filho no TCE para o poder familiar continuar; o velho presidente quer continuar no cargo e o anterior quer voltar. Aquele velho deputado federal quer que o filho assuma sua antiga cadeira e aquele prefeito quer o sobrinho como candidato para não perder o poder. E assim as relações políticas e sociais se consolidam, seja na esquerda, no centro, na linha de fundo ou na esquerda.

Continuísmo II

Se não se tratar de família, o continuísmo se revela nos grupos que estão no poder e não querem largar o osso. Em Heliópolis a prática continua firme. Poucos se mostram interessados numa mudança ampla. A maioria, e os de sempre, continuam praticando os mesmos atos com a desculpa de que foram esquecidos pelos líderes das supostas facções políticas. Agora mesmo, Contraprosa tem certeza de que dois candidatos a vereadores do PSD de Thiago Andrade migraram para as hostes dos governistas. As práticas são conhecidas: empregos e/ou dinheiro. Mas a notícia vem recheada de um futuro não muito promissor: há outros que deixaram para anunciar mais adiante.

Continuísmo III

Esta semana, Érica Anjos falou sobre a construção interminável do estádio municipal da cidade. Se formos enumerar o que começa e não termina em Heliópolis, daria um livro de muitas páginas. A prática de uma obra ser dividida em várias etapas é uma forma de continuísmo político e favorece a perpetuação de elites no poder, reduzindo a qualidade do Estado democrático e limitando a renovação de lideranças. Para continuarem vendendo esperança, precisam daqueles que ficaram pelo meio do caminho ou dos ambiciosos. Não há um horizonte bonito no futuro de Heliópolis, da Bahia ou do Brasil. Exceto caso o eleitor promova uma mudança geral. E não se trata apenas de trocar nomes, mas trocar conceitos, mudar ideias e aprofundar as discussões naquilo que realmente importa.

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Continuísmo IV

O sistema político é tão perverso que impede até o surgimento de uma nova ideia, um novo conceito de fazer política. Quem está no alto empurra para o chão aqueles que trazem um projeto novo. Quem já esteve lá, quer voltar e fecha a porta para quem procura espaço. Esquerda X Direita, PT X PL, Lulismo X Bolsonarismo, Jerônimo X ACM Neto, Pardal X Bem-te-vi, Gavião X Carcará, Boca preta X Boca branca são ilusionismos criados para que nossa esperança seja explorada e nossa visão fique dominada por um corredor estreito onde só cabem estas duas nuances, que são idênticas. As cores são diferentes, mas as ações são irmãs, filhas de uma mesma mãe chamada Continuidade.

Imagem destaque: Copilot.

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