O rompimento de Coronel é a nova distração política
Os baianos estão, mais uma vez, distraídos com os debates em torno do rompimento do senador Ângelo Coronel com o grupo governista e a saída dele do PSD. É distração para não debatermos verdadeiramente aquilo que interessa com foco nos problemas da Bahia.
Ângelo Coronel passou oito anos apagado no senado e tentou agora viabilizar sua reeleição ao Senado pela chapa governista, mas perdeu a queda de braço com o também senador Jaques Wagner (PT) e com o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT). Agora vai buscar abrigo na majoritária da oposição, liderada por ACM Neto (União Brasil). Essa mudança de cenário já é tema para semanas na imprensa baiana e contribui para o esquecimento do debate em torno daquilo que verdadeiramente atormenta os baianos.
Seu colega de partido e de bancada, Otto Alencar, segura o partido ao lado do PT e recebeu louros por isso. Seu filho foi indicado ao TCE e isso prova que a política baiana, em primeiro lugar, pensa no conforto e interesses dos seus líderes. O bem-estar dos liderados fica para segundo ou terceiro plano.
A bancada do PSD reforçou o apoio ao presidente do partido na Bahia, Otto Alencar, após o movimento de Ângelo Coronel. Nesta segunda-feira, 2, um grupo de parlamentares, estaduais e federais gravou um vídeo ao lado de Otto. Entre os presentes estiveram a presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Ivana Bastos (PSD), e o deputado federal Sérgio Brito (PSD-BA), que recentemente deixou a Secretaria estadual de Infraestrutura.
Mas ninguém viu nenhum movimento para resolver o problema da regulação, por exemplo. Não houve nenhuma solidariedade ou movimento aos que morreram esperando atendimento médico. Nem mesmo houve depoimentos de políticos ou lideranças para solução definitiva em torno da questão das mortes violentas na Bahia.
A Bahia continua, mesmo em ano eleitoral, a sufocar o debate em torno dos seus principais problemas e a eleição sempre se transforma numa diversão pública com as torcidas na arquibancada batendo palmas, cantando palavras de ordem, e gritando louvores a cada lance dos jogadores no campo da política do entretenimento. A Bahia real, sangrenta, maltratada, pobre, corrupta e esquecida fica para outro momento. E viva o espetáculo da democracia!
