Antônio Gonçalves: de Pau Ferro a Itinga da Serra

Neste mais novo episódio de Um Lugar no Sertão, Contraprosa chega ao município de Antônio Gonçalves. Sua área territorial é de 345,284 km², onde vive uma população de 10.862 pessoas, pelo censo de 2022, o que permite uma densidade demográfica de 31,46 hab./km². O IBGE estimou sua população para 2025 em 11.248 pessoas. O município faz limites com Campo Formoso, Pindobaçu, Senhor do Bonfim, Mirangaba e Filadélfia. A distância para salvador é de 362 km e os habitantes do município são denominados de antônio-gonçalvenses.

Já se sabe que a região onde se encontra Antônio Gonçalves era habitada pelos índios paiaiás. A colonização foi iniciada no final do século XIX com a chegada de famílias que formaram a Fazenda Pau Ferro, evoluindo depois para um povoado com o mesmo nome. Em 1916, foi inaugurada a estação ferroviária numa localidade denominada Frade. Os moradores de Pau Ferro foram aos poucos se transferindo para o local, onde havia bem melhor estrutura. Logo passaram a denominar o local de Itinga, que na língua indígena significa água branca.

Logo o povoado Itinga cresceu e foi chamado de Itinga da Serra. Em 1953, a povoação já chamava atenção e aí nasce uma Lei Estadual n.º 628, de 30 de dezembro de 1953, que cria o distrito de Itinga da Serra, subordinado ao município de Campo Formoso. Nove anos depois O distrito é elevado à categoria de município com a denominação de Antônio Gonçalves, pela Lei Estadual n.º 1699, de 05 de julho de 1962, desmembrado de Campo Formoso e constituído de um único distrito. A instalação oficial ocorreu 7 de abril de 1963.

Mas quem foi Antônio Gonçalves? Dr. Antônio Gonçalves da Cunha e Silva foi um influente médico e político que atuou por décadas na região. Era filho de José Gonçalves da Silva, ex-presidente da Bahia, e nasceu em 22 de novembro de 1877, na fazenda Piabas, a mesma que acabaria sendo visitada por Lampião e seu bando, em 1929, localizada no município de Frei Paulo, no estado de Sergipe. Cursou Medicina em Salvador, indo exercer a profissão no interior do Estado de São Paulo, chegando a ser prefeito de Leme. Retornou a Senhor do Bonfim, em 1918, integrando-se à política. Tornou-se vereador, em 1926, sendo nomeado intendente em 1927, exercendo a função até 1928, quando voltou à vereança, presidindo a Câmara Municipal. Como médico, Antônio Gonçalves tratou dos militares feridos por cangaceiros nos conflitos de Abóboras, em 1929, e do Tauá, em 1932. Também cuidou de vários sertanejos feridos por cangaceiros e policiais nas redondezas de Senhor do Bonfim. Faleceu em 4 de agosto de 1945.

Hoje, Antônio Gonçalves apresenta sinais de economia em crescimento moderado, destacando-se na região de Senhor do Bonfim pela geração de empregos formais. O município registrou um saldo positivo de novos empregos e está entre as cidades que mais crescem na região de Senhor do Bonfim. O setor de comércio e serviços concentram as melhores oportunidades. O município está historicamente centrado na criação de bovinos e no cultivo de mandioca, feijão e milho. Seu PIB per capita ainda é baixo, com cerca de R$ 10.000,00. Como muitos municípios de pequeno porte, a economia local é fortemente influenciada por transferências governamentais federais e programas de assistência social.
