Memória curta

Luís Gama: De escravo a advogado dos cativos

Seu nome completo é Luís Gonzaga Pinto da Gama. Nasceu em 21 de junho de 1830, em Salvador, Bahia. Filho de Luísa Mahin, africana da Costa da Mina, ligada a movimentos de resistência como a Revolta dos Malês (1835), e Antônio Agostinho Carlos Pinto da Gama, um fidalgo português, cujo nome foi raramente citado pelo filho. Apesar de nascer livre, Luís Gama foi vendido como escravo aos 10 anos pelo próprio pai, devido a dívidas. Aprendeu a ler e escrever já adulto e conseguiu provar judicialmente sua condição de homem livre e conquistar a própria liberdade.

Luís Gama atuou como rábula (advogado sem diploma formal), jornalista e poeta. Tornou-se um dos maiores defensores da abolição da escravidão no Brasil. Libertou judicialmente mais de 700 pessoas escravizadas e foi ativo em clubes republicanos e radicais em São Paulo, defendendo também ideias democráticas e republicanas. Publicou poemas satíricos e políticos, como em Primeiras Trovas Burlescas de Getulino (1859). Usava pseudônimos como Getulino, Spartacus e John Brown, refletindo sua postura combativa.

Luís Gama faleceu em 24 de agosto de 1882, em São Paulo, sem receber reconhecimento oficial como advogado. Em 2015, a Ordem dos Advogados do Brasil concedeu-lhe o título de advogado honorário. Em 2018, foi declarado Patrono da Abolição da Escravidão no Brasil. Em 2021, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da USP. Embora pouco lembrado, Luís Gama foi um dos maiores intelectuais negros do século XIX, símbolo da luta contra a escravidão e contra o racismo, figura que mostrou a força da educação e da resistência, mesmo diante da exclusão social.

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