Poucas & Boas

Poucas & Boas 133: Fim do Carnaval, início da pré-campanha

Quem é o vice?

Após passado o carnaval, todos os olhares miram para a formação das chapas que concorrerão ao pleito deste ano. Como o PT já não é mais aquele partido que convoca os filiados para escolher, os coronéis dos trabalhadores já formaram sua chapa, sem a presença de um Coronel. O problema está na vice. Geraldo Júnior vai seguir como companheiro de chapa de Jerônimo? A possibilidade de troca do vice é real. Há conversas com o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, e com o de Jequié, Zé Cocá. O que está visível é o desejo dos governistas de ter um nome que signifique um grande prejuízo para o grupo de ACM Neto e possa trazer dividendos concretos para o PT.

Popularidade

A vinda de Lula para a Bahia neste carnaval parece que não trouxe dividendos políticos para o governador Jerônimo Rodrigues. O esquema de segurança em torno dos dois foi reforçado. A impopularidade do governador impediu que se programassem aparições no meio da multidão para evitar vaias. O problema é a teimosia da ideia do “sempre foi assim” ou do “vai dar tudo certo”. O PT quer vencer praticando erros. Continua prometendo além das possibilidades orçamentárias, num esquema perverso para o estado, com obras sem conclusão ao longo de anos. Para melhorar sua popularidade, precisaria fazer uma reviravolta nos métodos. Não dá, por exemplo, para comprometer a Justiça descumprindo liminares. Há várias delas sem efetivação há mais de um ano.

Enredado

O enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” transformou a trajetória de Lula em narrativa carnavalesca, exaltando sua origem humilde e ascensão política. Foi a homenagem da escola de samba Acadêmicos de Niterói ao presidente Lula no Carnaval do Rio. Além da história do presidente, o desfile incluiu também referências críticas à figura do palhaço Bozo, associada a Bolsonaro. Foi uma desumanidade com o palhaço. Ao enredar a história de Lula, o Carnaval mostra-se um espelho da sociedade brasileira — celebrando figuras populares, mas também acentuando ainda mais esta nociva polarização. A homenagem à Lula não foi apenas cultural; tornou-se um ato político que mobilizou tanto apoio quanto resistência.

Qual o limite?

Não há um limite rígido imposto por lei para o número de dias de festa, mas oficialmente Salvador reconhece seis dias de Carnaval. Os 13 dias que aconteceram este ano refletem a força cultural da cidade e a pressão econômica do turismo, mas também levantam discussões sobre sustentabilidade e qualidade de vida. A cidade estende a folia com ensaios, pré-carnavais e pós-carnavais, que podem somar até 13 dias de festa contínua. Isso não é uma regra oficial, mas sim resultado da demanda cultural, turística e econômica. Mas nunca é demais perguntar: será que o abuso pode gerar aversão? O problema é saber se alguém está pensando nisso.

Depredadores

A administração pública em Cícero Dantas escancarou o clientelismo. A contratação de servidores terá um critério: ser indicado por um vereador. O nome mais comum para esse processo é apadrinhamento político, inserido dentro de práticas de clientelismo. Embora legal em cargos comissionados, é alvo de críticas por reduzir a transparência e abrir margem para favorecimentos pessoais em vez de critérios técnicos. Ou seja, apadrinhamento político, clientelismo, nepotismo cruzado e nomeações em cargos comissionados para acomodar indicações políticas seguem empesteando o setor público do município. São as doenças depredadoras de Cícero Dantas, com auxílio luxuoso de carcarás e gaviões.

Prefeitos

Nos bastidores da política baiana, há um dado que chama atenção: o número de prefeitos que apoiam Jerônimo. Segundo dados recentes da União dos Municípios da Bahia (UPB), o governador Jerônimo Rodrigues (PT) conta atualmente com o apoio de 354 prefeitos em sua base política no estado. Esse número foi divulgado em novembro de 2025 e reflete a ampliação de alianças a menos de um ano das eleições de 2026. Ocorre que não dá para contar vitória antes do tempo. Em 2006, Jaques Wagner (PT) venceu Paulo Souto (PFL) já no primeiro turno, com 52,89% dos votos válidos contra 43,03% do adversário. O petista foi o candidato mais votado em 227 dos 417 municípios baianos, enquanto Paulo Souto venceu em 190 cidades. A maioria esmagadora dos prefeitos estavam com ACM e esta vitória foi considerada uma virada histórica, pois rompeu a hegemonia do grupo carlista que governava a Bahia desde 1990. Pena que os métodos administrativos são os mesmos. Nada mudou.

Raio-x

A questão nunca foi a quantidade, mas qualidade. Há muitos prefeitos populares que realmente influenciam eleitores na direção do voto no governador. Entretanto, muitos estão passando pelo mesmo processo da impopularidade de Jerônimo e acabam beneficiando ACM Neto. O que realmente pode ajudar o governador é o voto em Lula, que ainda é muito forte na Bahia, embora em queda. Na nossa região, a não criação da Universidade Federal do Nordeste Baiano –  UFNB, é exemplo de grande frustração. Além disso, o PT coronelizou-se e vive na mesma bolha do combate à pobreza, além de se sustentar no bolsonarismo como se o Brasil só tivesse duas portas de saída.

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