Um Lugar no Sertão

Saúde! Sempre Saúde!

Igreja Matriz de Saúde, na Bahia. (Foto: Landisvalth Lima)

No mais novo episódio de Um Lugar no Sertão, Contraprosa chega hoje ao município de Saúde, na Bahia. A sede municipal fica a 353 km de Salvador e é servida pela rodoviária BA-131, conectada com a BR-324. A cidade de Saúde está situada na Serra da Jacobina, numa região de relevo montanhoso. Seu território é de 509,098 km², onde reside uma população de 10.478 pessoas, de acordo com o censo de 2022, o que permite uma densidade demográfica de 20,58 hab/km². O município faz limites com Caém, Jacobina, Caldeirão Grande, Ponto Novo, Pindobaçu e Mirangaba e o IBGE estimou sua população para o ano de 2025 em 10.661 pessoas.

A história da formação do município de Saúde remonta a uma área habitada originalmente por indígenas Paiaiás. Tempos depois, um primitivo assentamento bandeirante foi erguido no lugar. Após os índios passarem pela catequese dos jesuítas, construíram no local a primeira igreja da região. O povoado foi inicialmente edificado em 1765 pelos fundadores, os bandeirantes João Guaramacho e Garibão, que o denominaram Arraial de Nossa Senhora da Saúde, em referência ao clima, considerado benéfico aos moradores.

Sede do Poder Executivo em Saúde. (Foto: Landisvalth Lima)

 No início do século 20, Nossa Senhora da Saúde já era uma povoação considerável. Em 1914, pela Lei Estadual nº 1.174, de 20 de julho daquele ano, é criado o município de Saúde, desmembrado de Jacobina. Mesmo com crescimento considerável e já com vários distritos, a autonomia foi perdida em 1931, em plena Era Vargas, quando Saúde voltou a ser administrada por Jacobina. Dois anos depois, a partir de manobras políticas, é publicado o Decreto Estadual nº 8.452, de 31 de maio de 1933, que restabelecia a autonomia de Saúde, elevando-o novamente à categoria de município. A reimplantação ocorreu no dia seguinte, em 1º de junho, e virou a data festiva da emancipação política.

A cidade é organizada, limpa e bem arejada. (Foto: Landisvalth Lima)

Mas Saúde ainda sofreu dois baques previsíveis. Os distritos de Mirangaba e Caldeirão Grande cresciam de forma acelerada. Em 1961, a Lei Estadual nº 1.559 criou o município de Mirangaba, desmembrado de Saúde, o que redefiniu seus limites territoriais. No ano seguinte, outro desmembramento. Pela Lei Estadual nº 1.726, de 12 de julho de 1962, Caldeirão Grande foi também emancipado, tornando-se município independente, desmembrado de Saúde. Com isso, sua população sofreu queda acentuada, mas outros povoados e distritos foram se formando ao longo dos anos. Hoje, Saúde conta com comunidades importantes como Genipapo, Água Branca e Payaya.

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  Saúde, portanto, é marcada pela mistura de raízes indígenas, os Paiaíás, africanas e sertanejas, refletida nas festas, na culinária e nas tradições orais. Vale a pena conhecer a cidade bem organizada, principalmente na Festa de Nossa Senhora da Saúde – padroeira do município, celebrada em janeiro, com missas, procissões e atividades culturais. Também tem a Festa de São Gonçalo, Festa de Santo Antônio e demais festas juninas – muito valorizadas, com quadrilhas, fogueiras, comidas típicas e apresentações musicais. Também há carnaval em Saúde e também a lavagem das ruas – esta inspirada nas tradições afro-baianas, com música e dança. Vale ainda conhecer suas cachoeiras e paisagens naturais, que se tornam palco de encontros culturais e turísticos, mantendo até hoje sua identidade ligada às origens históricas e ao relevo característico da região.

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