Autonomia feminina em perigo
No Brasil, o feminicídio mata em média entre 1.500 e 1.600 mulheres por ano — o que equivale a aproximadamente 125 a 135 mortes por mês. Em 2025, o Brasil registrou 1.568 feminicídios, o maior número desde que a lei foi criada. Isso equivale a uma média de 130 mortes por mês. Os estados com maiores índices são São Paulo, Minas Gerais e Bahia, refletindo a persistência da violência de gênero.
O feminicídio no Brasil não pode ser explicado apenas como ódio às mulheres ou apenas como herança cultural: na verdade, é resultado da combinação dos dois fatores. Muitos casos de feminicídio estão ligados a relações de poder e controle, em que o agressor não aceita a autonomia da mulher.
O ódio às mulheres se manifesta em situações de ciúme, separação ou resistência da vítima, levando à violência extrema. É uma expressão direta da misoginia, ou seja, da aversão às mulheres enquanto grupo social. O Brasil carrega uma tradição patriarcal, em que historicamente os homens foram vistos como “donos” das mulheres.
Essa cultura de posse e submissão ainda se reflete em práticas sociais, familiares e até religiosas. A ideia de que a mulher deve “obedecer” ou “pertencer” ao homem alimenta comportamentos violentos quando essa expectativa é frustrada.
Em resumo, o feminicídio é misoginia enraizada numa herança cultural patriarcal. Não é apenas ódio individual, mas um fenômeno social que se perpetua porque a cultura ainda legitima, em muitos espaços, a desigualdade de gênero. Por isso, o enfrentamento exige não só punição legal, mas também mudança cultural: educação, políticas públicas e transformação das relações sociais.
