O medo, a raiva e o ódio do comunismo
Embora muita gente se pela de medo quando ouve a palavra, nenhum país no planeta Terra conseguiu implantar o comunismo na sua forma plena. Estados como União Soviética, China, Cuba, Vietnã e Coreia do Norte se autodenominaram socialistas e afirmaram estar em processo de construção do comunismo, mas nunca atingiram o estágio final descrito por Marx e Engels, que pressupõe ausência de classes sociais, do Estado e do dinheiro.
A definição teórica do comunismo é simples. Trata-se de uma sociedade sem classes, sem propriedade privada dos meios de produção, sem Estado e sem dependência do dinheiro. O objetivo é chegar a uma igualdade absoluta, cooperação voluntária e produção voltada às necessidades humanas, não ao lucro.
Os países chamados comunistas, na prática, são Estados socialistas, com partido único e economia planificada, mas ainda mantém hierarquias, moeda e aparato estatal. Estão mais para ditaduras ou autocracias. Os países que se autodeclaram comunistas são União Soviética, de 1917 a 1991, primeiro Estado a se declarar nesse nível, mas, na prática, sempre foi um regime autocrata, de ideologia socialista, com partido único.
Vale ainda destacar a China – desde 1949. Mantém o partido comunista no poder, mas desde os anos 1980 adotou regras de mercado. Cuba – desde 1959, tem um sistema socialista centralizado, mas nunca aboliu o Estado ou o dinheiro. A única turma que se beneficia financeiramente é a família Castro. Também há o Vietnã, Laos e Coreia do Norte, regimes socialistas inspirados no modelo soviético.
O mundo é capitalista e a ameaça do comunismo fez o capital ser menos cruel. Se a mais valia é tão cruel, por que nenhum país atingiu o comunismo pleno? É de se imaginar que abolir o Estado e o dinheiro mostrou-se inviável para administrar sociedades complexas. Também as pressões externas, as guerras, embargos e disputas geopolíticas forçaram adaptações.
Há ainda a dinâmica de se agarrar ao poder. Elites políticas e burocráticas mantiveram-se no poder, contrariando o ideal de ausência de classes. Por fim, o mundo é um só e a escassez e necessidade de planejamento central impediram a transição para uma sociedade sem moeda.
Então, para você que aprendeu a ter medo, raiva e ódio do comunismo, vale lembrar mais uma vez que ele nunca foi implantado porque o próprio conceito é utópico e incompatível com sociedades de grande escala. Todos os países que tentaram o comunismo ficaram presos na fase socialista, pois o Estado e a moeda são instrumentos indispensáveis para coordenar produção e distribuição em sociedades complexas. Não se pode ter medo de algo que nunca existiu, na prática.
Imagem destaque: Artigos – Brasil Paralelo – Reprodução.
