Os ricos, o PT, a mudança e a fórmula do predador
Poucas & Boas 134
O PT e os ricos
Carlos Madeiro, colunista de UOL, traz uma postagem hoje no portal que prova a relação milenar entre poder e riqueza. O tempo passa, mas o casal continua unido para todo o sempre, não se importando com discursos e ideologias. No Ceará, a sócia do grupo M. Dias Branco doou R$ 1,68 milhão à campanha do candidato a governador do PT no último dia 4. O valor é superior ao R$ 1,15 milhão que o diretório nacional do PT depositou para a campanha do governador até a sexta-feira (18.09). Na mesma reportagem, é possível verificar que alguns empresários fazem doação tanto para Ciro Gomes como para Elmano de Freitas. Aliás, o governador do Ceará já recebeu até aqui R$ 8,44 milhões em doações, a maior parte vindo de dinheiro privado. Tudo isso nos leva a pensar que, ganhe quem ganhar, os ricos já venceram. O PT é apenas mais uma sigla no tabuleiro do capitalismo.
Mudança I
Ainda repercute a passeata/comício de ACM Neto em Cícero Dantas. Até agora as imagens circulam nas redes sociais, causando espanto nas hostes governistas. O assombro todo é que não se sabe quando foi que um candidato da oposição colocou tanta gente na avenida. Para dizer a verdade, nem mesmo os governistas conseguiriam esse feito na atualidade. É um fenômeno que, vez ou outra, pega os políticos de surpresa. Lembra muito a eleição de Waldir Pires contra o grupo do avô de ACM Neto. Parece existir algo na alma do povo que, em determinado momento, decide apertar o botão do “chega”.
Mudança II
Este fenômeno costuma afetar outras disputas. Tem muito deputado e senador se achando as últimas bolachas do pacote. Podem ter mais surpresas desagradáveis. A renovação só não será maior porque o número de candidatos sofreu uma grande baixa. Há deputados de longa jornada que não conseguem mudar nem mesmo a música da campanha e vão sofrer por causa disso. Poucos dos já eleitos se dispõem a uma mudança de postura. Quem é A pode não ser A.1; um feito do passado pode não ter mais efeito no presente. Verdadeiramente, não de forma avassaladora, há uma parte do eleitorado que quer vivenciar algo novo, pujante, moderno, progressista. O povo não quer só comida, diversão e arte. Muitos querem, além disso, educação, paz, saúde e prosperidade.
Fórmula do sucesso
A eleição deste ano deverá derrubar muitos mitos. É comum fazer valer a máxima de que não basta à figura política ser honesta. É preciso parecer honesta. Agora, o que está em moda é o fato de que a minha figura política roubou, mas a sua também o fez. Após vermos metade dos ministros do STF chafurdando na lama do Vorcaro, será preciso uma nova fórmula para o sucesso da nossa democracia. Uma saída seria a eleição direta para cargos dos três poderes, inclusive para ministros do STF, com mandato temporário e sem direito à reeleição. Findada a nomeação feita pelo executivo para mandatos vitalícios, muita coisa será corrigida. É certo, após isso, que desaparecerão todos os problemas? Não, mas eles serão infinitamente menores.
Fórmula do fracasso
O terceiro mandato de Lula foi um fato inusitado. Primeiro porque corrigiu uma das maiores desgraças deste país: a reeleição de Bolsonaro, o que recolocou o Brasil no caminho da democracia. Capenga, cheia de defeitos, mas ainda uma democracia. Por outro lado, permitiu que o país mergulhasse numa espécie de vale-tudo. Com o fim da Lava Jato, passou-se a ideia de que o país era uma ilha de faz de conta e cada um procurou o caminho mais fácil do enriquecimento. Enquanto vivíamos a polarização do nós x eles, os ratos invadiram a Faria Lima, com terno, gravata e diversão de 6 mulheres para cada homem. O país virou uma ilha da fantasia, com promessas de 140% do CDI. Agora poderemos ter a volta de um Bolsonaro ou o 4º mandato de Lula. Seja qual for o futuro próximos 4 anos, eles nos dirão que toda polarização é a fórmula do fracasso de uma nação.
O predador
É possível ver na política, pelo menos, dois tipos de predadores. O primeiro é o negacionista da ciência, da liberdade, do próprio país, embora dependa de tudo isso para conseguir seus intentos. O segundo é o afirmacionista, aquele que defende tudo isso e, por debaixo dos panos, locupletam-se das nossas riquezas. Ora, mas como vou saber sobre cada um deles na hora da escolha? É difícil. Realmente é difícil. Mas há uma fórmula que resolve 90% deste problema. É só não atribuir um segundo mandato a ele. O predador se aloja em algum lugar do corpo para se alimentar. Ele é uma espécie de carrapato, sem matar imediatamente. Se não usarmos o veneno da alternância, em breve, a vítima estará morta.
Em breve
Duas cidades da nossa região passarão pelas maiores transformações políticas da história. Não que seja uma certeza, mas o cenário está preparado para uma reviravolta. A primeira seria a mais improvável: Cícero Dantas. Os últimos acontecimentos colocam o município numa enrascada: ou muda o modo ou muda a moda. Por enquanto só dá para chegar até aí. Há fatos que precisam continuar em off para não estragar o banquete. Outra é Heliópolis. Nesta, tudo está mais visível e consolidará 2028 como o ano do sepultamento de muitas figuras políticas no município.
Imagem destaque: ACM Neto em Cícero Dantas-Ba.
