Altamira – Pará

Seguimos nosso caminho traçado pela rodovia Transamazônica e Contraprosa registra nossa chegada a um município para lá de especial: Altamira, no Pará. Começamos logo informando que se trata do maior município do Brasil em área territorial. Altamira é maior que Portugal, maior que a Suíça e bem maior que vários estados brasileiros. Sua área territorial é de estupendos 159.533,318 km². Começa no início da chamada volta do Rio Xingu e vai até a divisa com o Mato Grosso. Em linha reta, de norte a sul, ultrapassa os 500 km. A população de Altamira, em 2022, chegou a 126.279 pessoas, o que equivale a uma densidade demográfica de apenas 0,79 hab/km². O IBGE estimou sua população para este ano de 2026 em 140.450 pessoas. Fazem limites com Altamira os municípios de Brasil Novo, Medicilândia, Uruará, Placas, Rurópolis, Senador José Porfírio, São Félix do Xingu, Itaituba, Novo Progresso, Trairão – todos do Pará, e ainda Guarantã do Norte, Matupá e Peixoto de Azevedo, no Mato Grosso. A distância para Belém é de 816 km.

A história e formação de Altamira tiveram origem nas missões dos jesuítas, na primeira metade do séc. XVIII, quando ainda integrava o gigantesco município de Souzel. Por meio da excursão do jesuíta Roque de Hunderfund, deu-se o primeiro registro histórico de colonização praticada nesse território, onde foi fundada, às margens do Igarapé dos Panelas, uma missão catequética destinada aos índios que habitavam toda a região. A floresta densa ocupava toda extensão terrestre. Muitas pedras, verdadeiras rochas, que fechavam os percursos fluviais, foram obstáculos aos navegantes, que tiveram de suportar muitas dificuldades para atingir a colonização. Com auxílio da mão de obra indígena, os freis italianos Capuchinhos conseguiram abrir um pequeno atalho do baixo ao médio Xingu. O projeto foi acelerado com a adequação do trabalho escravo africano na selva amazônica.

Toda aquela região do Vale do Xingu pertencia a Souzel, município criado pela Lei nº 811 de 14 de abril de 1874, na época o maior município do Pará. O que havia acima da Volta Grande eram apenas picadas abertas por jesuítas ou coletores de drogas do sertão, como o Major Leocádio de Souza. Em 17 de janeiro de 1883, Raymundo José de Souza Gayoso inicia uma picada através das selvas entre a foz do rio Tucurui e a foz do Igarapé Jôa, auxiliado por 70 escravos e foices. Não houve na empreitada auxílio nenhum do Governo da Província nem de engenheiros, mas Gayoso corta a Volta Grande até a foz do igarapé Ambé, chegando ao local onde hoje está Altamira no dia 2 de abril de 1883, após quase 3 meses, em pleno inverno amazônico. Gayoso pegou malária e entrou para história como o fundador de Altamira, nesta data.

Quando o desbravador chegou à foz do Igarapé Ambé, ali fincou morada e a chamou de Fortaleza. Mais tarde virou Forte Ambé. Seus escravos foram alojados rio acima, formando o primeiro núcleo urbano de Altamira. Em 1896, Altamira tinha 3 barracões de palha e em torno de 200 moradores. Em 1897 já possuía mais de 20 casas e o crescimento não mais parou. Mas veio o fim da escravatura em 1888, e Gayoso vai embora pobre e falido. Alguns anos após sua saída, começaram a chegar os migrantes nordestinos, entre eles, Raymundo de Paula Marques, Luís de Sousa e Antônio Holanda com suas famílias. A segunda fase de Altamira tem como figura central José Porphírio de Miranda Júnior, o coronel José Porfírio. Era baiano e chegou ao Pará em 1893, adquiriu propriedades, como Forte Ambé, e a exploração comercial da Estrada de Vitória. Assim, Porphírio passa a controlar a maior parte da extração de borracha na região, vira político e chega a senador estadual. Altamira ganha poder econômico e político.

No ano de 1910, uma comissão composta de políticos representando a população entregou ao governador João Coelho um abaixo-assinado com 400 assinaturas pedindo o desmembramento da região. Nesta época, Altamira já ultrapassara em população, movimento comercial e em outros aspectos a cidade de Souzel, sede do município. Em decorrência desse movimento, o governador assina Lei Estadual n.º 1.234, de 06 de novembro de 1911, que cria o município de Altamira, com sede na vila do mesmo nome. O Decreto Estadual 1.952, de 20 de novembro de 1911, determina a data de 1.º de janeiro de 1912 para instalação oficial do novo município. O major Pedro de Oliveira Lemos, membro da Comissão de Instalação, foi escolhido primeiro intendente.

Após a Revolução de 1930, o Coronel José Porphírio fica abalado financeiramente, tanto pela queda dos preços da borracha quanto pela crise mundial de 1929. Retira-se então para o Rio de Janeiro, onde faleceu. O período de José Porfírio, nos primeiros 30 anos do século 20, é um dos mais pujantes para o crescimento de Altamira. Em 1909, já possuía mais de 100 casas, cemitério, cadeia, escola, coletoria, correio, comércio e autoridades legais. Em 1937, segundo o Padre Eurico Krautler, a cidade já tinha em torno de 1.500 habitantes e, em 1940, Altamira tinha 366 casas e os dados do Censo de setembro de 1940 mostravam uma população de 1.442 moradores na zona urbana e 471 na zona suburbana, num total de 1.813 habitantes, e seu principal edifício era a igreja Matriz. Em todo território havia 6.428 habitantes.
Ao longo dos anos, a intensificação do comércio e o progresso econômico deram a Altamira o perfil de uma cidade ativa, com agências bancárias, hospitais, aeroporto, correios, além de crescimento demográfico e comercial. Altamira recebeu dois presidentes da República. O primeiro foi Emílio Garrastazu Médici, que em 1970 deu início à construção da Rodovia Transamazônica. Em junho de 1998, o presidente Fernando Henrique Cardoso inaugurou o projeto Tramoeste, que trouxe para o município a energia de Tucuruí.

Altamira, que já em 1917 adquiriu a condição de cidade, mediante Lei Estadual n.º 1604, de 27 de setembro daquele ano, tinha um território muito maior. Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1936, o município aparece constituído de 11 distritos: Altamira, Novo Horizonte, São Félix, Porto de Moz, Tapará, Vilarinho de Monte, Vieiros, Pombal, Aquiqui, Sousel e Alto Xingu. Todos os distritos pertenciam ao extinto município de Porto de Moz. Um ano depois, o município aparece constituído de 3 distritos: Altamira, Novo Horizonte e São Félix, chegando inclusive a mudar seu nome para Xingu. Em 1938, volta a denominação original. Muitos distritos foram adquirindo independência administrativa e seu território foi perdendo tamanho. O último a se emancipar foi Vitória do Xingu, em 1991. Hoje, Altamira tem 3 distritos: Altamira – a sede, Cachoeira da Serra e Castelo dos Sonhos.

A vida econômica hoje de Altamira é estabelecida por vários fatores, mas o destaque é a agropecuária, o comércio e o serviço público. O município, por ser um território de grande extensão, configura sobre sua economia uma diversidade de atividades que também geram renda e somam economicamente com as bases principais. Pode-se citar o extrativismo e a pesca, as pequenas indústrias de móveis, os serviços autônomos, as atividades ribeirinhas e de artesanato, entre outros. Apesar dos problemas causados, o aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte produz interferência também na economia da cidade por meio da geração serviços e empregos.

Claro, o altamirense também se diverte nas tradicionais festas juninas, marcadas por diferentes danças regionais e um verdadeiro resgate das culturas que fizeram parte do processo de povoamento da região amazônica. Cada grupo folclórico busca, por meio da dança, envolver a população num contexto histórico, em que o compasso da música é acondicionado pela presença de elementos que fazem das festas um válido resgate dos costumes. Não se pode deixar de falar da Exposição Feira Agropecuária de Altamira – EXPOALTA, que há mais de 30 anos embala a cidade com essa admirável festa agropecuária que ultrapassa fronteiras. É uma festa organizada pela prefeitura local com o apoio de empresários, fazendeiros, e comerciantes. Para você que desejar visitar Altamira, a EXPOALTA acontece geralmente no mês de novembro.
