Internacional

A Guerra na Ucrânia tem um vencedor?

Afinal, depois de quase cinco anos, quem está vencendo a guerra na Ucrânia? Se a pergunta não envolver propaganda de nenhum lado, a resposta mais honesta é: a guerra continua sem um vencedor claro, mas a situação é mais complexa do que as narrativas oficiais de Moscou e Kiev costumam mostrar.

A Rússia ainda controla aproximadamente 20% do território ucraniano, incluindo a Crimeia e partes das regiões de Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson, mas a linha de frente permanece relativamente estável em muitos setores, caracterizando uma guerra de atrito, com ganhos territoriais lentos e custosos.

A Ucrânia continua realizando ataques de longo alcance com drones dentro da Rússia, atingindo infraestrutura militar, energética e tecnológica. Aqui há uma evolução porque a Ucrânia só se defendia no início. Ao levar o conflito para dentro da Rússia, o país invadido mostra o custo para Putin.

Sem evoluir na linha de frente, a Rússia mantém ataques frequentes com mísseis e drones contra cidades e infraestrutura ucranianas, atingindo diretamente os civis, numa tática de tentar colocar o povo contra o seu próprio país. Até aqui, essa tática não vem dando resultados.

Se o objetivo inicial da Rússia em 2022 era dominar rapidamente a Ucrânia, esse objetivo fracassou. Nesse ponto, é possível indicar uma derrota russa. A Ucrânia permaneceu independente, mantém forças armadas operacionais e está levando o conflito para dentro do território russo. Ponto para a Ucrânia.

Se o critério for controle territorial, a Rússia ainda ocupa uma parcela significativa do território ucraniano, mas ainda não chegou ao seu objetivo, o completo domínio sobre o Donbas. Além de não avançar, a Rússia vem perdendo milhares de soldados todos os dias. É muito sangue humano para pouca coisa.

Se o critério for desgaste, ambos os lados sofreram perdas enormes. Organizações que acompanham o conflito descrevem a guerra como um impasse estratégico com alto custo humano e econômico, mas analistas internacionais apontam um número bem maior de perdas do lado russo.

Enquanto isso, há várias tentativas de negociação e mediação, mas nenhum cessar-fogo duradouro foi alcançado. A principal divergência continua sendo o futuro dos territórios invadidos pela Rússia e as garantias de segurança para a Ucrânia. Como foi o país de Putin que iniciou a guerra, a Ucrânia quer a saída dos invasores e a concretização de garantias para que tal fato nunca mais aconteça.

Fato é que a Rússia invadiu a Ucrânia para tomá-la em três dias e não chegou ao seu objetivo. Já são quase cinco anos de atritos e cerca de dois milhões de baixas. A Ucrânia não foi derrotada e o conflito continua sendo uma guerra de desgaste prolongada, com enormes custos humanos e econômicos para ambos os países. A diferença é que os ucranianos não são os invasores. Lutam contra uma nação infinitamente maior e estão resistindo.

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