Medicilândia – Pará
Seguindo pela Transamazônica, 45 km depois chegamos ao município de Medicilândia, ainda no estado do Pará. Antes, quase presenciamos um acidente na rodovia. Um caminhoneiro passou por mim em alta velocidade. Estava bem com pressa. Numa reta, provavelmente cochilou e saiu da pista. Percorreu um bom trecho de mata, voou por sobre um igarapé e foi parar no meio das árvores, sem tombar o veículo. O motorista não teve ferimentos graves. Ele mesmo providenciou sair do carro e contar a história. Depois seguimos para Medicilândia. A cidade é conhecida como a Capital do Cacau. Sua área territorial é de 8.272,629 km², onde vive uma população de 27.094 pessoas, pelo censo de 2022, o que faz uma densidade demográfica de 3,28 hab/km². Medicilândia faz limites com os municípios de Altamira, Brasil Novo e Uruará, e sua distância para a capital, Belém, é de 904 km. O IBGE estimou sua população para o ano de 2026 em 28.718 pessoas.
As origens do município de Medicilândia estão também diretamente relacionadas ao Programa de Integração Nacional (PIN), criado em 1970 e implantado a partir de 1971 pelo governo federal. O objetivo do programa era desenvolver um amplo projeto de colonização dirigida na Amazônia, trazendo trabalhadores sem-terra de diversas regiões do Brasil, especialmente do Nordeste. Para implantar o PIN, a rodovia Transamazônica foi de fundamental importância, recebendo os trechos Marabá–Altamira e Altamira–Itaituba atenção especial em termos de planejamento e investimentos.
Faziam parte do projeto a implantação de agrovilas: conjuntos compostos por 48 ou 64 lotes urbanos, com igual número de casas, instaladas em uma área de 100 hectares. Essas moradias eram destinadas aos colonos assentados, que também recebiam lotes rurais para desenvolverem suas atividades econômicas. Cada agrovila deveria dispor de uma escola de 1.º grau, uma igreja ecumênica, um posto médico e, em alguns casos, um armazém para produtos agrícolas. Também fazia parte do programa a criação das agrópolis, formadas pelo agrupamento de várias agrovilas organizadas em torno de um núcleo urbano de serviços.
Além dos equipamentos básicos das agrovilas, as agrópolis deveriam contar com posto bancário, serviços de correios e telefonia, e escola de 2.º grau, entre outros. O objetivo era atender à demanda de todas as agrovilas localizadas em determinado trecho da Transamazônica. Na prática, foram implantadas diversas agrovilas, mas apenas uma agrópolis: Brasil Novo, situada no km 46 do trecho Altamira–Itaituba. O programa previa ainda a construção das Rurópolis, formadas por um conjunto de agrópolis. Contudo, apenas uma foi efetivamente implantada — Presidente Médici.
Medicilândia teve origem na agrovila instalada no km 90 da rodovia, no mesmo trecho entre Altamira e Itaituba. O desenvolvimento dessa agrovila e sua posterior transformação em município ocorreram em razão de diversos fatores, destacando-se a fertilidade dos solos, que impulsionou o crescimento da agricultura local. Outro fator determinante foi a implantação do Projeto Canavieiro Abraham Lincoln (PACAL), que incluía uma usina de beneficiamento de cana-de-açúcar.
Mas o núcleo urbano de Medicilândia começou a se formar quando um colono instalou um lote à beira da rodovia e decidiu instalar um bar e um pequeno restaurante. O local tornou-se ponto de apoio para caminhoneiros e ônibus que circulavam pela região. Com o avanço do projeto da usina e o aumento das plantações de cana-de-açúcar, cresceu a necessidade de mão de obra para desmatamento, roçagem, plantio e construção civil, atraindo trabalhadores de várias localidades. À medida que a população aumentava, novos serviços foram surgindo, como pequenos restaurantes, dormitórios e postos de combustíveis.
No início, o crescimento se apresentou desordenado. O pequeno núcleo urbano não tinha assistência municipal por parte de Prainha, município ao qual Medicilândia era subordinada. Um dos motivos era a distância da sede até a povoação. Daí, começam os moradores a iniciarem um movimento em prol da emancipação político-administrativa. Nasce então o distrito criado com a denominação de Medicilândia, pela Lei Estadual n.º 5.202, de 10 de dezembro de 1984, subordinado ao município de Prainha. Quatro anos depois, em 6 de maio de 1988, por meio da Lei nº 5.438, sancionada pelo governador Hélio Mota Gueiros, Medicilândia é elevada à categoria de município, tendo como sede a então vila de Medicilândia, que passou à categoria de cidade com a mesma denominação. Sua instalação oficial ocorreu em 1º de janeiro de 1989, com a posse do primeiro prefeito eleito, Francisco Aguiar Silveira, eleito em 15 de novembro de 1988.
O nome Medicilândia foi escolhido em homenagem ao então presidente da República, Emílio Garrastazu Médici, que governava o país à época da criação do PIN. Em divisão territorial datada de 1995, o município é constituído apenas do distrito sede. Entretanto, pela Lei n.º 138, de 7 de dezembro de 1995, é criado o distrito de União da Floresta e anexado ao município de Medicilândia, condição que perdura até os dias atuais. Chegamos à cidade no dia 5 de julho de 2026 e ficamos hospedados na Pousada Flor de Jambo, na margem da Transamazônica, tudo bem simples e de fácil acesso.

Os principais eventos culturais de Medicilândia (PA) estão fortemente ligados à identidade do município como Capital Nacional do Cacau. O CacauFest é o evento mais importante da cidade e um dos maiores da região da Transamazônica. Reúne produtores rurais, empreendedores, turistas e moradores em uma programação que mistura negócios, cultura e entretenimento. Entre as atrações costumam estar a Cavalgada de abertura, Tratoraço, Feira de produtos do cacau, Seminários e fórum da cacauicultura, Exposições e estandes, Shows musicais e apresentações culturais. Além disso, há Festival do Chocolate. Também são feitas as comemorações juninas que mobilizam a população com apresentações culturais, quadrilhas, comidas típicas e a tradicional fogueira, preservando costumes populares amazônicos e nordestinos presentes na formação do município, além de eventos culturais apoiados pela Lei Aldir Blanc. Medicilândia marcou presença na EXPOCACAU 2026, em Ilhéus – Bahia, fortalecendo conexões e buscando novas oportunidades para a cadeia do cacau.
