Itaituba – Pará
Neste episódio de BR 230 – Transamazônica – de Cabedelo a Lábrea, Contraprosa chega a um município que já existia muito antes da construção da Transamazônica: Itaituba, no Pará. Trata-se de uma municipalidade com uma área enorme. São exatos 62.042,375 km², maior que a Paraíba ou o Rio Grande do Norte, o 5.º maior do Pará e 13.º maior do Brasil. Nesta imensidão vive uma população de 123.314 pessoas, censo de 2022, o que representa uma densidade demográfica de 1,99 habitante por km². Itaituba faz limites com os municípios de Aveiro, Altamira, Rurópolis, Novo Progresso, Trairão, Jacareacanga e Maués (AM). A distância até Belém é de 1.626 km e o IBGE estimou sua população para este ano de 2026 em 136.990 pessoas.
A existência de Itaituba já aparece em documentação das viagens de Miguel João de Castro ao rio Tapajós, como centro da exploração e comércio de especiarias do Alto Tapajós, bem antes de 1812. Com a Cabanagem e os acontecimentos ocorridos no período, fundou-se a Brasília Legal, em 1836, como posto de resistência, à margem esquerda do Tapajós. Ferreira Penna afirma que, em 1836, Itaituba era um aldeamento de índios, da dependência do Grão-Pará, para onde foi enviado um pequeno destacamento. Aparecem ainda referências ao tenente-coronel Joaquim Caetano Corrêa, por ser um precursor do desbravamento da região, considerado, inclusive, o fundador de Itaituba.
Até 1853, a região de Itaituba pertencia à freguesia de Pinhel, passando, posteriormente, para a jurisdição de Boim. No ano seguinte, foi elevado à categoria de vila, portanto município, com a denominação de Itaituba, pela Lei Provincial n.º 266, de 16 de outubro de 1854. O centro urbano passou a se desenvolver mais ainda quando, pela Lei Provincial n.º 290, de 15 de dezembro de 1856, transferiu-se a sede da povoação de Brasília Legal para a povoação de Itaituba, com reinstalação ocorrida em 3 de novembro de 1857, com apenas um distrito sede. Itaituba ganhou a condição de cidade pela Lei Estadual n.º 684, de 23 de março de 1900. Mesmo assim, vítima das ações da era Vargas, o Decreto Estadual n.º 78, de 27 de dezembro de 1930, extingue o município de Itaituba, ficando o território sob administração direta do Estado do Pará. Cinco anos depois, Itaituba é elevada novamente à categoria de município pela Lei Estadual n.º 8, de 31 de outubro de 1935. Em 1937, o município é constituído de 3 distritos: Itaituba – a sede, Brasília Legal e Igapó-Açu.
A imensidão do território de Itaituba era ainda maior. Ao longo dos anos, várias povoações cresceram, outras ficaram estagnadas e muitas viraram municípios. É o caso de Brasil Legal, que virou o município de Aveiro, Jacareacanga, Trairão e Novo Progresso. Atualmente, Itaituba tem dois distritos: Itaituba – a sede, e Moraes Almeida, localizado nas margens da BR-163, distante mais de 200 km em linha reta de Itaituba. Vale citar a localidade de Miritituba, praticamente um bairro localizado no outro lado do Tapajós, onde tem um porto graneleiro e onde se pega uma balsa para atravessar o rio. Para os curiosos, Itaituba vem do tupi e significa ITA (pedra), Y (água) e TYBA (ajuntamento), ou seja, “ajuntamento de água da pedra”. A única forma de acesso rodoviário é pela BR-230 ou BR-163 até a localidade de Campo Verde, onde se encontra com a Transamazônica, mas existe o Aeroporto de Itaituba, com voos regulares para várias cidades. Outra opção é via rio Tapajós, conectando a cidade aos portos de Santarém, Belém, Manaus e Macapá.
Itaituba é um centro sub-regional, caracterizado pela existência de atividades de gestão e de influência sobre os municípios mais próximos. A cidade é de médio porte e seu setor de serviços é o principal motor de sua economia. Responsável por 71% de toda a riqueza produzida no município, o setor de serviços é um dos 10 maiores do estado do Pará. Outros destaques na economia de Itaituba são o setor industrial, a mineração e o agropecuário. Na indústria, é marcante a produção de produtos baseados no calcário (matéria-prima abundante no subsolo do município), sendo a cidade uma das principais produtoras de cimento no país. No setor de mineração, destacam-se as atividades de exploração de ouro no Vale do Tapajós. A instalação de grandes conglomerados ligados à atividade de mineração fez com que Itaituba fosse responsável por 1,1% de toda a riqueza produzida no setor no Estado do Pará. Por fim, no setor agropecuário figuram as atividades de agricultura familiar e a pecuária de pequeno porte. O destaque no setor é a Feira Agropecuária do município, que movimenta milhões de reais em transações comerciais todos os anos, um dos maiores eventos do gênero no Oeste do Pará.
Um dos grandes entraves ao desenvolvimento econômico da região foi o abastecimento de energia, que até fins dos anos 1990 representava um problema crônico para a cidade. Em 1998, a cidade de Itaituba passou a ser atendida pelo Projeto Tramoeste, que trazia energia produzida na Hidrelétrica de Tucuruí. Itaituba possui boa infraestrutura hoteleira para receber turistas e visitantes, contando com diversos hotéis categorizados de 1 a 4 estrelas. Por sinal, ficamos hospedados no Hotel Piauí, no centro da cidade, com bom atendimento, conforto e uma diária que coube bem no bolso. A cidade apresenta grande potencial ecoturístico, como cavernas, cachoeiras, águas minerais e minero-termais, além de uma grande quantidade de praias e lagos piscosos, localizados principalmente próximos à sede do município. Na região da povoação de São Luiz do Tapajós, seguindo pela Transamazônica em direção a Jacareacanga, destacam-se belas praias e ilhas ao longo do Rio Tapajós, que, por sua vez, nos meses de agosto, setembro e outubro, apresentam-se com águas esverdeadas e cristalinas. Além disso, há a pesca esportiva à procura de grandes tucunarés no Lago do Jacaré, a caverna Paraíso, localizada a cerca de 90 km, também pela Transamazônica, entre Itaituba e Rurópolis. Outros atrativos são o Tabuleiro Monte Cristo, o Hotel Fazenda Maloquinha e o Parque Nacional da Amazônia.

As maiores festividades em Itaituba são a Festa da Senhora de Sant’ana, Festival Folclórico da ASGRUFOCITA e a Feira Agropecuária. As festividades de Nossa Senhora de Sant’ana, padroeira do município, iniciam-se na primeira quinzena de julho e terminam com a procissão do Círio, no dia 26 do mesmo mês. Também, as festividades da paróquia Nossa Senhora do Bom Remédio, padroeira da cidade alta, onde se situa a maior igreja da cidade, conhecida popularmente como “Igreja Redonda”. O Festival Folclórico da ASGRUFOCITA reúne todos os grupos folclóricos e culturais do município num concurso de danças e quadrilhas promovido pela Associação dos Grupos Folclóricos e Culturais de Itaituba na primeira quinzena do mês de julho. O evento possui um público fiel de mais de 10 mil pessoas, com a apresentação de uma média de 12 agremiações a cada ano. A Feira Agropecuária, que ocorre no Parque de Exposições Hélio Mota Gueiros, também merece destaque e ocorre anualmente no mês de outubro.
