A cidade que poderia ter sido chamada de Eunapiópolis

Os altos preços do comércio de Eunápolis ajudam a frear crescimento (foto: Landisvalth Lima)

Visitei a cidade de Eunápolis e procurei saber o significado e origem do nome. Perguntei a uns dez ou onze moradores e quase ninguém sabia. Um me disse que viu na Internet que o nome tem relação com um engenheiro. Na verdade, o nome inicial foi km 64 porque a cidade nasceu por causa da construção da estrada que liga Porto Seguro à hoje BR 101, antigamente chamada de BR-5. Como era uma obra do governo do estado, tinha o nome de BA-2. Hoje é a BR 367. Mesmo depois de KM 64 também recebeu nomes como Nova Floresta e Ibiapina. Quando a estrada ficou pronta, tempos depois, resolveram nomeá-la como homenagem a Eunápio Peltier de Queiroz, engenheiro responsável pela idealização e execução da estrada, quando era secretário de Viação e Obras Públicas, nomeado pelo então governador Régis Pacheco. Eunápio adquiriu 100 hectares de terras para criação do povoado. As terras pertenciam ao fazendeiro Ivan de Almeida Moura. Uma pequena parte de Eunápolis pertencia a Santa Cruz de Cabrália e a maior parte, cerca de 80%, estava no município de Porto Seguro. O crescimento foi vertiginoso, chegando a ser nomeado o povoado mais populoso do mundo. Quando virou município, oficialmente em 12 de maio de 1988, sua população já passava dos 50 mil habitantes. Quem idealizou a homenagem a Eunápio fez de forma linguisticamente errônea. A cidade deveria se chamar Eunapiópolis, ou seja, Eunápio (nome do homenageado) + Polis = cidade.  

De qualquer forma, Eunápolis está aí, e muito bem. Sua população já ultrapassa os 110 mil habitantes e lá é possível encontrar quase tudo. Mesmo que não virasse cidade, cresceria sempre porque está numa posição estratégica. A pecuária, o café e o comércio são as principais atividades. Além disso, fica próximo a Minas Gerais e ao Espírito Santo, e isso ajuda bastante. Só não cresce mais porque há problemas que teimam em persistir. Um deles é o custo de vida. Tudo é caro em Eunápolis. As diárias de hotéis são superiores às de Porto Seguro, quase o dobro. Para quem for estacionar no centro, há a chamada Zona Azul. Tudo bem que a prefeitura precise de verba para cuidar da cidade. Apenas 2 reais por hora é preço razoável. Mas o problema é encontrar onde comprar o bilhete. Há pouquíssimos locais de venda e muitos agentes de trânsito. Se você não encontrar um agente compreensivo, a multa virá em dose hercúlea. Por fim, como parece ser o problema da Bahia, a questão da educação não é levada a sério. Por volta de 10:30 da manhã, era possível ver estudantes desfilando em grupos pelas ruas da cidade. No mais, Eunápolis é jovem e seu povo trabalhador e incansável. Tem tudo para figurar entre os maiores municípios da Bahia, em breve. Para isso, há necessidade de uma renovação também na política, porque os vícios são os mesmos que tomam conta da nossa imensa Bahia.  

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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