Brasil

A guerra digital para combater golpes e notícias falsas

Os golpes digitais no Brasil estão num nível extremamente elevado e continuam a crescer: em 2025 foram registradas mais de 314 bilhões de atividades maliciosas, e em 2026 a previsão é de quase 600 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos. Outra praga que cresce assustadoramente são as notícias falsas (fake news). Em 2026, esta alta tornou-se uma das maiores preocupações nacionais, especialmente em ano eleitoral. O uso de inteligência artificial para criar conteúdo manipulado aumentou drasticamente: de 4,65% em 2024 para 25,77% em 2025, e segue crescendo em 2026. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já intensificou ações de monitoramento para conter a desinformação.

As pessoas mais usadas em golpes e notícias falsas no Brasil são principalmente jornalistas, apresentadores de TV, como Fátima Bernardes, César Tralli e William Bonner, além de políticos e influenciadores digitais. Criminosos utilizam as suas imagens e nomes para conferir credibilidade a fraudes financeiras e espalhar desinformação. Tem também a notícia falsa seletiva. Grupos ligados a correntes políticas vivem a criar fatos e estampar, por exemplo, capas de revista ou jornais com manchetes escandalosas e falsas.

O panorama atual dos golpes na internet no Brasil apresenta tipos comuns como Phishing: links falsos enviados por endereço eletrônico, SMS e WhatsApp; promoções inexistentes em páginas falsas de e-commerce; clonagem de cartões e contas bancárias; ataques DDoS que já somam centenas de milhares em 2026. Em Feira de Santana, uma aposentada teve a sua conta invadida, fez transferências, enviou PIX milionário com o cartão de crédito e fez empréstimos consignados. O nível de sofisticação chega a assustar.

Se a coisa continuar nesse nível, os prejuízos ficarão cada vez mais assustadores e empresas seguradoras vão começar a fugir do negócio.  O pior é a perda de confiança em serviços digitais e aumento da exclusão digital. Como a digitalização é cada vez mais uma necessidade, é preciso que o governo intensifique políticas públicas mais robustas de cibersegurança.

Outro terror que nos aflige são as notícias falsas que inundam as redes sociais e estão em crescimento acelerado. Em 2026, a tendência é de aumento ainda maior, com vídeos, áudios e imagens manipulados circulando em massa. Tudo isso está diretamente ligado à polarização eleitoral que influencia a percepção dos cidadãos sobre candidatos e instituições.

A boa notícia é que pesquisas do DataSenado mostram que os brasileiros reconhecem o impacto das fake news na democracia e nas eleições. O problema é que muitos acabam acreditando em determinado fato por associar uma imagem a uma mentira. O Tribunal Superior Eleitoral está usando inteligência artificial e novas tecnologias para identificar e remover conteúdos falsos.

A manipulação da opinião pública estará à prova neste ano. É preciso que o país tenha controle sobre o uso democrático das redes sociais, porque especialistas apontam que o país vive um teste decisivo para sua democracia, com desinformação sendo um dos maiores desafios. Notícias sensacionalistas falsas circulam mais rápido que informações verificadas, especialmente em redes sociais e aplicativos de mensagens.

Imagem destaque: Nikita Belokhonov e Mikhail Nilov/ Pexels

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