Ainda há tempo para administrar!

O prefeito de Poço Verde ainda tem tempo para administrar o município (foto: Facebook)

A realização do São Pedro do Povo da cidade de Poço Verde, no último domingo (07), não foi apenas mais uma rebimboca quebrada na parafuseta da administração do prefeito Iggor Oliveira. O evento, realizado de forma grotesca e incomum, funcionou como o ápice de uma série de ações amadorísticas do atual alcaide. Resta pouco menos de 1 ano e meio e é hora de o prefeito pensar um pouco na cidade e menos na disputa política. Pelo menos, é preciso mostrar que o povo de Poço Verde não elegeu um inocente para administrar uma cidade que tem como norte o desejo de ser grande.

Porque chega a ser patético o comportamento do prefeito Iggor Oliveira na administração que pensa realizar. Esquece o alcaide que ele foi eleito exatamente pelo fato de Tiago Dória, entre outras desgraças, não cumprir com o pagamento do servidor público. A vitória máscula de Iggor foi um aviso do povo a todos os agentes públicos que nem sempre tratam a coisa pública como república.

Não vamos aqui registrar os equívocos do prefeito já conhecidos, mas só os relacionados ao São Pedro. Primeiro, o prefeito lançou nota pública informando que “iremos atender a RECOMENDAÇÃO nº 02/2019, mantendo a harmonia entre os poderes e especialmente, ratificando o modelo de gestão transparente e responsável que temos implementado em Poço Verde, mesmo vivendo com tantas dificuldades.” As dificuldades todos sabem, mas transparência é que não houve. A banda Seeway e outras atrações não custariam nada ao município. Quem pagaria a conta? Veio a resposta: CDL. A instituição negou e disse que não era a dona do pedaço.

Perdeu o prefeito a grande oportunidade de organizar parte considerável de sua administração. Se já havia uma recomendação, o povo entenderia a não realização da festa. Mas Iggor Oliveira preferiu o improviso e Deus sabe lá como ele pagaria a festa. Além disso, foram anunciadas atrações que nem mesmo tinham sido contratadas. Foi algo inusitado, esquisito e sem explicação. No sábado pela noite, chegou a notícia de que o Ministério Público havia decretado a não realização da festa, pelos mesmos motivos: atraso nos salários dos servidores! Como se faz festa se não se consegue sequer pagar aos funcionários?

Na mesma noite veio outra notícia informando que havia uma Liminar que garantia a festa. A esta altura, muitos já tinham cancelado o convite ao corpo para ir. Foi o pior São Pedro do Povo, com o seu pior público. Por volta das 17 horas, já não havia mais festa. Muitos ainda chegavam para o evento e ficaram duplamente decepcionados. Para fingir que tudo estava bem e que o problema estava com a oposição, Iggor Oliveira se divertia no meio do povo, sem camisa e passando a impressão de que era um homem do povo. A imagem, na verdade, é a do fracasso de um homem eleito para resolver problemas. Dois anos e meio depois, os problemas aumentam. Ainda há 5 meses atrasados de salários de funcionários contratados, somente em 2018, somados a outros dois meses em 2019.

Ainda há solução? Claro! Basta que Iggor Oliveira, de fato, coloque em prática o que disse na Nota Pública: “manter a prudência, austeridade financeira, reequilíbrio das contas em momento de arrecadação extra e manutenção dos serviços essenciais para a população.” Pronto. Assim vai dar certo, mas é preciso tirar a reeleição da cabeça. Poço Verde é mais importante que sua continuidade na prefeitura. Passou da época em que só era preciso dar pão e circo ao povo. Se o município voltar a ser adimplente, o povo saberá reconhecer um dia. O que não pode é ter sido eleito para sanar problemas e entregar a prefeitura com uma derrota acachapante e ainda sem resolver coisa alguma. Acorda, Iggor Oliveira. Ainda há tempo!

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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