Além do desestímulo, professor enfrenta alta concorrência

O professor, além de desvalorizado, enfrenta alta concorrência (foto: Revista Interlúdio)

Duas notícias sobre a nossa educação que funcionam como um petardo nas pretensões dos nossos profissionais da área. A primeira foi noticiada pela Folha de São Paulo. Afirma a reportagem que o Brasil corre risco de ter professores em excesso nos próximos anos. A outra notícia foi publicada pelo Correio Braziliense, indicando que há um percentual de 21% dos professores da rede publica do Distrito Federal arrependidos pela escolha da carreira. E vejam que é lá na capital do país que se paga um dos melhores salários ao professor.

Na reportagem da Folha, o que poderia ter sido uma comemoração está virando tragédia. O número de estudantes está em queda, mas a formação de professores está em alta. Somente entre 2013 e 2017 foram formados mais de 1 milhão de professores, num espaço para ser ocupado por pouco mais de 2 milhões em atividade. Nos próximos anos formaremos mais de 1 milhão novamente. É muito professor para um número cada vez menor de alunos, isso também agravado pelos inúmeros recursos tecnológicos que contribuem para aumentar a demanda.

No Correio Braziliense, o Instituto Ayrton Senna apresentou um diagnóstico detalhado da educação nas 27 unidades da federação. O economista chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper Ricardo Paes de Barros explica que diversos fatores influenciam no índice de satisfação dos docentes com a carreira. “Se o professor não sente seu trabalho valorizado e percebe que não tem condições para desempenhar as tarefas, mesmo que receba um salário alto, ele pode ser sentir desmotivado”, disse PB, como o economista é conhecido.

Agora, somemos os dois fatores e teremos uma bomba a explodir. Como pagarão bons salários se o número de profissionais é cada vez maior? Como disputar um mercado de trabalho, numa profissão estressante, com baixos salários e com riscos cada vez mais visíveis? Como se sentir bem numa profissão constantemente desvalorizada? Não. Definitivamente, sair das últimas posições do PIsa é algo que está cada vez mais distante.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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