Ana Dalva afirma que disputará só mais um mandato legislativo

Ana Dalva com Évelin de Leda, Nice, João Cardoso, Dona Maria, Rosa e Jô Andrade (Montagem: Contraprosa)

Ser vereador numa cidade do interior baiano é motivo de orgulho para qualquer um; ser vereadora é quase a glória. Numa sociedade onde poucas mulheres abraçam a causa política com afinco, a trajetória política de Ana Dalva Batista Reis é algo inédito. Ela só conseguiu se eleger na terceira tentativa, em 2008. Para começar, pegou uma pedreira: fazer oposição quase sozinha. Um de seus companheiros de chapa aderiu ao prefeito da época, Walter Rosário (PCdoB) e a vereadora Naudinha ficou muda e distante. Mesmo só, foram 18 denúncias no Ministério Público Federal e 15 no MPE. Sua fiscalização contribuiu para a Operação 13 de Maio, que desbaratou uma quadrilha enraizada nas prefeituras de nossa região, inclusive na de Heliópolis.

Ana Dalva no povoado Angico (foto: arquivo pessoal)

A luta e o voto do povo de Heliópolis a colocou noutro mandato novamente em 2012. Virou a 1ª e única mulher até aqui a presidir o Legislativo, num processo que marcou sua vida, embora tenha sido eleita por unanimidade. Mesmo com um bom trabalho, outros interesses inconfessos a colocaram fora de uma nova disputa. Virou depois secretária de saúde do município, ajudando sobremaneira a administração de Ildefonso Andrade Fonseca. Ana Dalva não gosta de falar dos dissabores que sofreu no período, mas saiu de cabeça erguida para a reeleição, ao lado do atual prefeito, também reeleito.

Ana Dalva com amigos na Alvorada do São Pedro (foto: AP)

Ana Dalva, durante toda sua vida, pertenceu a três partidos: PPS (23), REDE (18) e, agora, PSD (55). Foi para este último partido para viabilizar a eleição do pré-candidato Thiago Andrade. Apoiou o atual candidato do PSD desde o início, mesmo sempre sendo cotada para ser uma provável candidata a prefeita. Ela até brinca: “só me querem para vice, talvez porque não faça nada e não incomode ninguém.” Sempre preferiu estar na linha de frente e lutar pelo seu povo. Vive nas clínicas, hospitais, maternidades, órgãos públicos e sempre resolvendo problemas de um e de outro. Para ela, neste sertão, vereador que não cuida do povo e não valoriza seu mandato parlamentar não vai a lugar algum.

Ana Dalva com o afilhado Artêmio (foto: AP)

Mas já decidiu que, se reelegendo, será o seu 4º e último mandato de vereadora. “É preciso abrir espaço para novas ideias. Vou continuar em outra praia, em outro cargo ou até em cargo algum. Pretendo apoiar estes meninos do movimento Jovens Multiplicadores. Achei a ideia útil e progressista.” , afirma. E ela reconhece o trabalho dos que a ajudaram nestes tempos, continuam ajudando e de outros que agora chegaram para ajudar. Não vai citar nomes para não cometer injustiças, “mas eles/elas estarão comigo ao longo desta campanha. Outros tantos em São Paulo, num vai e vem de luta pela vida, e muitos que votam de longe, demonstrando reconhecer nosso trabalho.” Ela saúda também e agradece aos familiares por entender a luta e dividi-la com seus eleitores.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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