André Rebouças: engenheiro e abolicionista
André Rebouças (1838–1898) foi um engenheiro, inventor e abolicionista brasileiro, considerado um dos maiores intelectuais negros do século XIX. Ele se destacou tanto por suas obras de engenharia quanto por sua militância contra a escravidão, mas terminou seus dias no exílio, após a queda da monarquia. Nascimento: 13 de janeiro de 1838, em Cachoeira, Bahia. Filho de Antônio Pereira Rebouças, advogado autodidata e deputado imperial, e de Carolina Pinto Rebouças. Estudou no Rio de Janeiro e formou-se engenheiro pela Escola Militar, sendo o primeiro engenheiro negro diplomado no Brasil.
Como engenheiro, atuou em grandes obras de infraestrutura. Estrada de ferro Curitiba–Paranaguá, ligando o interior ao litoral do Paraná. Projetos de abastecimento de água e melhorias urbanas no Rio de Janeiro. Lutou na Guerra do Paraguai como engenheiro militar, destacando-se pela construção de pontes e sistemas logísticos. Foi um dos principais articuladores da Sociedade Brasileira contra a Escravidão, ao lado de Joaquim Nabuco e José do Patrocínio. Escreveu artigos e ensaios defendendo a abolição e a integração dos ex-escravizados na sociedade. Defendia também políticas de modernização econômica e inclusão social, acreditando que o Brasil só se desenvolveria plenamente sem a escravidão.
André Rebouças era monarquista convicto e amigo da família imperial. Após a Proclamação da República, em 1889, acompanhou D. Pedro II no exílio. Viveu seus últimos anos na Europa e na África, dedicando-se a projetos de desenvolvimento em territórios africanos. Faleceu em 9 de maio de 1898, na Ilha da Madeira, Portugal, em circunstâncias pouco esclarecidas. Sua morte foi registrada como suicídio, mas há controvérsias sobre o episódio.
