As obras da nossa região: Fantasia ou realidade?

Os políticos encastelados no poder têm uma grande capacidade de criar um mundo paralelo na propaganda oficial, que, no papel, parece ser o sonho concretizado do nosso mundo. O governo da Bahia anunciou que, em parceria com o Governo Federal, teria para 2026 um pacote de obras que ultrapassa R$ 3 bilhões, com foco em saúde, educação, saneamento e infraestrutura hídrica, beneficiando diretamente municípios do nordeste baiano. Essas ações fazem parte do Novo PAC e de programas regionais de desenvolvimento, com prioridade para ampliar serviços básicos e fortalecer a economia local.
Vamos elencar as principais obras prometidas para o Nordeste da Bahia, e que cada leitor tire as suas conclusões. Prometeram na educação a construção e ampliação de escolas de ensino fundamental e médio, modernização de institutos federais e universidades estaduais, expansão de creches e pré-escolas em cidades médias e pequenas (em Heliópolis, a creche está sendo reformada).
No setor de saúde consta a implantação de novos hospitais regionais e unidades de pronto atendimento (UPAs), ampliação de postos de saúde e centros de especialidades médicas, investimentos em telemedicina e equipamentos hospitalares.
No setor de saneamento básico constam obras de abastecimento de água em áreas rurais e semiáridas, expansão de redes de esgoto e tratamento de resíduos, projetos de drenagem urbana para reduzir enchentes em cidades como Euclides da Cunha e Ribeira do Pombal.
Na infraestrutura hídrica, há investimentos superiores a R$ 400 milhões em barragens, adutoras e sistemas de irrigação, projetos da Caravana das Águas, voltados para segurança hídrica e combate à seca, reforço no abastecimento de cidades como Cícero Dantas, Jeremoabo e Paulo Afonso.
Na área de infraestrutura econômica citam-se os projetos financiados pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), apoio a micro e pequenas empresas para geração de empregos e melhorias em rodovias estaduais e federais que cruzam o nordeste baiano, facilitando o escoamento da produção agrícola.
Muitas dessas obras nem sequer foram iniciadas, embora apareçam no anúncio como impactantes na geração de empregos locais durante a execução das obras, aumento da massa salarial e dinamização da economia regional, melhoria da qualidade de vida com acesso ampliado à saúde, educação e saneamento e a questão da segurança hídrica para enfrentar períodos de estiagem, um desafio histórico da região.

O nosso problema é a deficiência dos órgãos de fiscalização. O papel ficaria a cargo de vereadores, deputados e senadores, mas a anomalia política atual praticamente transforma um legislador em membro do executivo. Também não é segredo para ninguém que muitas obras dependem de execução conjunta entre governo estadual e federal, o que pode gerar atrasos. A região nordeste da Bahia, por ser semiárida, exige planejamento contínuo em recursos hídricos para evitar desperdícios. A fiscalização da sociedade civil será essencial para garantir que os R$ 3 bilhões anunciados sejam aplicados de forma transparente e eficiente.
Obras previstas:
- Abastecimento de Água e Recursos Hídricos
- Expansão da Adutora do Sertão Baiano, beneficiando Cícero Dantas, Heliópolis e Fátima.
- Construção de pequenas barragens e sistemas simplificados de abastecimento em comunidades rurais.
- Projetos de irrigação voltados para a agricultura familiar, especialmente em áreas de sequeiro.
- Saúde
- Implantação de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Cícero Dantas, para desafogar hospitais regionais.
- Reforma e ampliação do Hospital Regional de Ribeira do Pombal, que atende parte da população da região.
- Programas de telemedicina para municípios menores, garantindo acesso a especialistas.
- Educação
- Construção de novas escolas estaduais de tempo integral em Cícero Dantas e Ribeira do Pombal.
- Ampliação de creches e pré-escolas em Heliópolis e Fátima.
- Modernização de laboratórios e bibliotecas em escolas técnicas da região.
- Infraestrutura Urbana e Rodoviária
- Pavimentação, recuperação e conclusão da BA-220, que liga Cícero Dantas a Euclides da Cunha.
- Melhorias na BA-393, obra ainda sem conclusão. Seria o tal viaduto no encontro com a BR 110.
- Obras de drenagem e saneamento básico em áreas urbanas de Cícero Dantas e Ribeira do Pombal.
- Desenvolvimento Econômico
- Linhas de crédito do FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste) para pequenos empreendedores locais.
- Incentivo à instalação de cooperativas agrícolas e agroindústrias para fortalecer a produção de milho, feijão e mandioca.
- Projetos de energia solar comunitária em áreas rurais.

Além destas obras, há aquelas exclusivas do governo do estado, prometidas em invernos passados, que tratam de asfaltamento de rodovias na região. Algumas estão em fase de conclusão, outras se arrastam sem perspectivas de término, sem falar naquelas que mal estão a iniciar os trabalhos. São elas:
1 – BA 393 – BR 110 a Poço Verde
2 – BA 394 – Ribeira do Pombal a Feira da Serra
3 – BA 084 – Heliópolis (BA 393) a Fátima
4 – BA 084 – Ribeira do Amparo a Barrocas/Raspador
5 – BA 084 – Adustina a Sítio do Quinto
6 – BA 084 – Sítio do Quinto a Coronel João Sá
7 – BA 395 – Tucano a Creguenhém/Mandaçaia/Olho D’Água/Itapicuru/Cipó
8 – BA 408 – Araci a Santa Luz
9 – BA 120 – Queimadas a Cansanção/Monte Santo
10 – BA 381 – Cansanção a Quijingue (ainda sem licitação)
