Crônica

Assim nasce uma democracia

As ditaduras são extremamente perigosas para o povo, seja ela de direita, de esquerda, militar, civil ou religiosa. É inadmissível, em pleno século XXI, ainda ouvirmos países com povos controlados por doutrinas de quaisquer ordens. Hoje, como exemplo, o Irã vive uma onda de protestos desde o fim de dezembro de 2025, marcada por forte repressão do governo. Há relatos de milhares de mortos, prisões em massa e até execuções de manifestantes. A crise econômica e política se intensificou, atraindo atenção e pressão internacional.

A origem das manifestações no Irã começaram por causa da crise cambial e inflação, mas rapidamente se transformaram em protestos contra o regime teocrático do aiatolá Ali Khamenei. Como não é um governo popular, respondeu com violência extrema, resultando em milhares de mortos. Estimativas já ultrapassa cerca de 3.500 vítimas. Ainda não está confirmado, mas falam que já houve a primeira execução oficial de um manifestante, o jovem Erfan Soltani (26 anos).

Ou seja, o Estado se arvora para si o direito de ceifar vidas de pessoas que pensam diferente ou clamam por uma vida melhor. No Irã, são os condenados à morte sob a acusação de “moharebeh” (“guerra contra Deus”). Na Venezuela, ou você aceita as imposições da falsa república bolivariana ou precisa sair do país para não morrer de fome. Na Rússia, muitos são obrigados a ir para uma guerra contra os irmãos do passado, só para garantir mais alguns kms de terra para o ditador careca Putin. Milhares morrem numa terra que jamais será deles.

Estas ditaduras crescem mundo afora e as reações dependem do contexto das ditas nações desenvolvidas. Os Estados Unidos devem estar calculando o que ganharia com o conflito no Irã e já invadiu a Venezuela para “administrar” seu desenvolvimento. Os custos virão dos barris de petróleo. Até mesmo o Brasil, tomado pelo velho discurso do Itamaraty, não condena o governo iraniano. É o velho respeito à autonomia dos povos. Pediu diálogo pacífico, lamentou as mortes sem condenar as execuções e reafirmou que o futuro do Irã deve ser decidido pelos próprios iranianos.

Enquanto as ditaduras persistem, a repressão pode gerar ainda mais mortes e violações de direitos humanos. Além disso, um aumento da tensão entre EUA e Irã pode escalar para um conflito militar, não para resolver a questão democrática, que pouco interessa a Trump, mas travar um conflito econômico em torno, mais uma vez, do petróleo.

Toda ditadura um dia acaba porque ela interessa apenas a um homem, uma família ou, no máximo, um grupo. No Irã, o regime endurece sua posição, mas a insatisfação popular cresce, tornando o cenário instável. São 40 anos e ninguém suporta mais! Todas as ditaduras chegarão a este momento vivido pelo Irã: crítico, com protestos populares massivos, repressão brutal e risco de agravamento da crise internacional. Até chegar a dona Democracia, muito sangue cairá sobre o chão iraniano.

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