Até quando Sérgio Moro suportará?

Sérgio Moro afirma que a luta contra corrupção é política de estado (foto: A Crítica)

Todos sabem que a parte melhor do governo de Jair Bolsonaro se concentra nos seus dois ministros das áreas cruciais da administração: Segurança Pública e Economia. Sérgio Moro e Paulo Guedes precisam ter suas propostas aprovadas para que o governo do capitão não seja um verdadeiro fiasco. As atrapalhadas do governo podem até continuar. Acreditamos que, com o tempo, o país se acostumará. Entretanto, com crescimento zero e a violência se mantendo nesse patamar, não haverá discurso que salve o governo. O problema é que ninguém imagina até onde vai a paciência de Sérgio Moro.

Nesta quinta-feira (09), os deputados deram uma demonstração cabal de que não vão criar cobra para serem mordidos. O centrão mostrou suas garras. Por um placar de 14 votos a 11, a comissão do Congresso que analisa a medida provisória da reforma administrativa aprovou a transferência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para o Ministério da Economia. O órgão é uma unidade de inteligência financeira do governo federal que atua principalmente na prevenção e no combate à lavagem de dinheiro – crime que consiste na prática de disfarçar dinheiro de origem ilícita.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou, após saber do resultado da votação, que a decisão de transferir o Conselho de Controle de Atividades Financeiras da pasta para o Ministério da Economia não é nada favorável ao fortalecimento do órgão. De cá é possível perceber que estes deputados não vão assinar um cheque em branco que facilite as suas prisões no futuro. Metade dos deputados treme quando se pronuncia Lava Jato. Esse era um dos pontos que enfrentavam maior divergência entre os parlamentares. Ou seja, em linguagem bem clara, ou Bolsonaro freia Sérgio Moro ou os deputados desmantelam o país.

A situação de Paulo Guedes, embora não seja fácil, é bem mais confortável que a de Sérgio Moro. A economia do país afeta a gregos e troianos. Vai ser aprovada uma reforma previdenciária nem que seja para melhorar os anos de governo de Bolsonaro. No caso de Sérgio Moro, só os políticos que têm problemas na justiça se ferram. Moro aceitou ser ministro porque o capitão acenou com mudanças substanciais no combate à corrupção. Tanto é que, após assumir a Presidência da República, Jair Bolsonaro transferiu o conselho do extinto Ministério da Fazenda (atual Ministério da Economia) para o Ministério da Justiça. O relator da matéria, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que é líder do governo no Senado, havia mantido no seu parecer o Coaf no MJ. No entanto, PT e o Centrão pressionavam o governo para que a unidade ficasse vinculada ao Ministério da Economia e apresentaram uma emenda para alterar esse ponto.

“A intenção de trazer para o Ministério da Justiça sempre foi a de fortalecer o Coaf. Houve uma decisão não muito favorável a essa proposta do governo, mas, independentemente do que aconteça, podem ter certeza que a política do governo vai ser sempre de fortalecimento desse órgão. Não é política do Ministério da Justiça ou do governo, na verdade é política de Estado”, disse Sergio Moro. A retirada do Coaf do MJ significa uma derrota para o Palácio do Planalto e, especialmente, para o ministro Sérgio Moro. Quantas derrotas serão suficientes para o ministro abandonar o governo e bater em retirada?  

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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