Até remédios estão sendo superfaturados!
Acreditem! Nada escapa à corrupção no Brasil, nem mesmo os remédios! A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União identificaram que empresas fornecedoras direcionavam licitações e recebiam valores indevidos, enquanto parte dos medicamentos não era entregue ou era enviada em excesso a determinados postos de saúde. O desvio de remédios acontecia em Mossoró e era feito por meio de fraudes em licitações e manipulação na distribuição de medicamentos, envolvendo contratos superfaturados, entrega irregular de insumos e pagamento de propinas a agentes públicos.
O esquema funcionava a partir de fraudes em licitações. Empresas eram favorecidas em processos de compra de medicamentos e insumos hospitalares. As licitações eram direcionadas para fornecedores previamente escolhidos, em troca de pagamento de propinas. Além disso, a distribuição de remédios era manipulada. Em alguns postos de saúde, os medicamentos simplesmente não eram entregues, enquanto em outros havia excesso de remédios, muitas vezes próximos do vencimento, o que dificultava o uso e justificava novas compras.
Escutas telefônicas revelaram que os valores de propina eram calculados previamente, seguindo uma espécie de “tabela” proporcional ao valor dos contratos. Isso mostra planejamento detalhado e organização criminosa. Parte significativa do dinheiro público destinado à saúde era desviada. Em uma das operações, a PF apreendeu mais de R$ 250 mil em espécie, parte escondida em isopores.
E os principais envolvidos? Claro, tem político no meio. O primeiro é o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), alvo da operação, embora negue irregularidades. Também está sendo investigado o vice-prefeito de Mossoró e outros gestores municipais. As empresas fornecedoras de insumos de saúde no Rio Grande do Norte estavam no centro do esquema.
A população é que paga essa conta e sofre a falta de medicamentos essenciais em alguns postos de saúde, além de desperdício de recursos públicos, já que remédios próximos ao vencimento não eram utilizados, e prejuízo direto ao atendimento médico, especialmente em cidades menores que dependem do fornecimento regular de insumos. Corrupção na saúde compromete diretamente vidas, pois reduz o acesso a tratamentos básicos. Curioso é que todos os municípios envolvidos possuem Câmara Municipais, que existem exatamente para fiscalizar o executivo. As irregularidades só foram descobertas por auditorias da CGU e operações da PF.
A “matemática da propina” descoberta em Mossoró funcionava de forma bastante sistemática. Os investigadores da Polícia Federal e da CGU identificaram que os valores pagos como propina eram calculados proporcionalmente ao montante dos contratos de medicamentos e insumos de saúde. Cada contrato superfaturado tinha uma porcentagem previamente definida que seria desviada. Por exemplo, se o contrato fosse de R$ 1 milhão, uma fração desse valor (digamos 10% ou 15%) era destinada ao pagamento de propina.
A PF descobriu que havia uma espécie de “tabela” ou regra interna: quanto maior fosse o contrato, maior o valor da propina. Isso mostra que não era algo improvisado, mas sim planejado e padronizado. Em alguns casos, os pagamentos eram feitos em parcelas, acompanhando o cronograma de repasses da prefeitura às empresas fornecedoras. O dinheiro não ficava concentrado em uma única pessoa. Ele era dividido entre diferentes agentes públicos, conforme o papel de cada um no esquema. O esquema em Mossoró não se limitava a simples desvios ocasionais — havia uma lógica matemática aplicada para garantir que cada contrato rendesse uma fatia de propina.
Imagem destaque: Prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União).
