Bolsonaro quer mais cadáveres!

Há pessoas que se alimentam praticando maldades e se auto idolatrando. (imagem: significado do sonho)

Não há mais dúvida de que estamos na pior fase da nossa história republicana. Vivemos um duplo infortúnio: temos o pior governo da história e a pior oposição de todos os tempos. O Brasil vive o seu momento mais interiorano e medieval. Parece que vivemos numa época distante da civilização, numa pequena cidade mais equidistante possível, onde dois grupos dividem o poder. Ambos são iguais e xingam-se mutuamente, mas um depende do outro para o revezamento no poder. Jamais se matarão porque são nutridos pela disputa potencialmente multiviral. Bolsonarismo, petismo, tucanismo e centrão são cepas de um mal social que nos persegue desde a chegada de Cabral por aqui: egolatria. Pior é que o atual governo conseguiu superar todos os prognósticos de prática de maldades no poder. Jair Bolsonaro consegue ser incompetente, falastrão, desumano e cruel, coisa que as outras cepas não conseguiram realizar de forma tão eficiente.

O governo Bolsonaro é incompetente porque, até aqui, não conseguiu implementar um projeto claro de governo com sua marca. Foi ineficiente em tudo. Quando seus seguidores organizavam aquelas manifestações ridículas em Brasília, pregando o fim da democracia, prometendo acabar com o STF etc, não conseguiu efeito algum. Só deu manchetes e comentários. Na prática, tudo continuou do mesmo jeito, se não pior. Quando resolveu dar uma de civilizado, suas recaídas são constantes. Mesmo assim, o governo não anda. Sua última investida foi se aliar ao Centrão. Já torrou 3,5 bilhões em emendas e não conseguimos sair do lugar. A única coisa que funciona em Bolsonaro é pensar em 2022.

Pegando um caso concreto, Bolsonaro vivia se queixando da decisão do STF de dar carta branca a governadores e prefeitos para tomar medidas de combate ao novo coronavírus. Cruzou os braços e o país está chegando a quase 10 milhões de contaminados e 240 mil mortes. Agora que está com o comando da vacinação, não consegue eficiência. Hoje, 15 de fevereiro, completamos 28 dias de vacinação. Foram apenas pouco mais de 5 milhões de vacinados. Aplicamos apenas 182 mil vacinas por dia. Nesse ritmo, só estarão vacinados todos os brasileiros em março de 2024, considerando sábados, domingos e feriados. Só a nível de comparação, os americanos, sem o Trump, já vacinaram quase 40 milhões de americanos.

É falastrão porque… Precisa buscar exemplos? Todo santo dia solta uma idiotice. De Cloroquina, Ivermectina e outras drogas inúteis para a Covid-19 até um tal de spray inventado para curas milagrosas. Está mais para pajé de tribo medieval, se é que tenha havido pajé tão mequetrefe. Numa aparição ao vivo, com dificuldade de reconhecer-se incompetente, disse que sua indicação da Cloroquina não matou ninguém. Não dá para estabelecermos um número de mortos consequentes das suas indicações, mas basta saber quantos compraram o feijão milagroso daquele pastor ou aqueles que caíram na propaganda dos vendedores de xaropes milagrosos nas feiras deste país. Um povo deseducado tende a ser místico. Do místico ao mito é um pulo.

É também desumano o governo Bolsonaro porque nunca se mostrou solidário com as famílias dos que morreram em consequência da Covid-19. Em quase um ano de pandemia, não há registro de uma só visita dele a algum hospital. Já foi visto correndo em pista de atletismo, deslizando nas águas do Lago Paranoá, em várias praias do litoral brasileiro, em enterro de paraquedista, em formatura de policiais… Até mesmo para liberar o auxílio emergencial contou com o protagonismo do Congresso, embora a visão tenha sido meramente econômica, e não humana, como se o capitalismo sobrevivesse sem saúde pública. Para não dizer que não fez um ato humano relacionado à pandemia, esteve na vacinação de uma senhora idosa que, por obra e graça do destino, é sua mãe.

E, para encurtar, sem abusar da paciência dos meus 22 leitores, a desumanidade de Bolsonaro sobe mais um degrau na prática da maldade com o outro. Nas vésperas de completarmos a marca dos 240 mil mortos pela Covid-19 no Brasil, boa parte destas vidas ceifadas com a assinatura dele, o nosso presidente, o mito, revela sua face crudelíssima: assina decretos facilitando e ampliando ainda mais o acesso dos brasileiros a armas e munições. Não, senhores! Bolsonaro não está se preocupando em comprar vacinas. Ele quer mais cadáveres!

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