Brasil acima de tudo? Bolsonaro acima de todos!

Na sua mania de se proteger, Bolsonaro pode perder sua maior estrela no governo (foto: Correio)

O falso nacionalismo de Bolsonaro não resiste a um cargo de embaixador nos Estados Unidos ou a uma investigação da Polícia Federal. O nacionalismo do nosso presidente só é válido quando o seu não está na reta. O lema mesmo que ele carrega consigo é aquele que diz “farinha pouca, meu pirão primeiro”: Bolsonaro acima de todos. E não precisamos ser especialistas em futurologia para saber que tudo isso não terminará bem.

Jair Bolsonaro é daqueles caras que não conseguem ver a oportunidade de entrar para a história como estadista ou, no mínimo, membro de uma lista de benfeitores da humanidade. Está jogando fora a chance de transformar este país numa nação grandiosa. Conseguiu vencer o discurso chantagista e perrenguento de uma esquerda envergonhada, que se esconde atrás do muro da nossa desgraça social. Teria a chance, pois, de mostrar que a fome, a miséria, o preconceito e outros males denegridores da nossa nação poderiam ser debelados com educação de qualidade, trabalho, melhoria geral do serviço público, combate ferrenho e intransigente à corrupção, dedicação ao produtivo, à inteligência e àquilo que verdadeiramente traz um boom de desenvolvimento ao país. Isto sendo feito, além de ter sua reeleição garantida, entraria para a história e teria seu nome nos anais dos heróis da pátria.

O que fez o nosso Capitão até agora de relevante: defendeu os filhos das babaquices que fazem ou fizeram. Para isso, está colocando contra si os servidores públicos mais eficientes do país: os policias federais. Por ser presidente e, por conseguinte, se achar acima da lei, está perdendo seu maior triunfo eleitoral: o ex-juiz Sérgio Moro. Bolsonaro se esquece que este homem, com o auxílio luxuoso do Ministério Público, e de agentes policias dedicadíssimos da Polícia Federal, desvendou o maior esquema de corrupção da história da humanidade. Esquece o presidente que Sérgio Moro foi o primeiro a dar uma sentença inédita a um ex-presidente, símbolo máximo de um governo esquerdista de popularidade nunca antes vista na história da nossa República. Foi desta sentença que surgiram as bases, decisões e coragem para levá-lo às grades da prisão há mais de 500 dias! Não é sem razão que o ministro é odiado e defenestrado pelos defensores da esquerda oportunista por todas as redes sociais, a todo o momento!

E, com tudo isso, o que faz Jair Bolsonaro? Só besteira, uma na sequência de outra. Das burrices com o meio ambiente, das ratadas com a educação e da indicação para o filho ser embaixador nos Estados Unidos não se tira nada que possa revelar um mínimo de coerência com o seu slogan de campanha. São tiros no pé que vão revelando o despreparo do nosso Capitão para administrar um país tão complexo. E olhe que ele conseguiu até aqui algo inédito: uniu o congresso para aprovar a Reforma da Previdência. Nenhum presidente havia conseguido avanços tão importantes nesta área. E ele não vai tirar dividendos políticos dessa aprovação porque parece não conseguir viver um dia sem fabricar um desafeto. Agora, Bolsonaro resolveu fritar o seu maior ministro. Como disse o portal O Antagonista, a fritura a que Sergio Moro tem sido submetido por Jair Bolsonaro já faz com que aliados do ministro da Justiça sugiram que ele deixe o cargo.

Moro sabe que Bolsonaro tem uma bomba nas mãos e não dá sinais de que pretenda abandonar o posto. No Ministério da Justiça, a ordem do chefe é olhar para a frente e tocar os projetos. Pior é que Bolsonaro nem sabe que essa determinação de Moro é benéfica para o governo do Capitão. Ainda vale citar o portal O Antagonista para ter a certeza de que Bolsonaro não é normal, ou só olha mesmo para o próprio umbigo. Ao fritar publicamente o diretor da PF, Maurício Valeixo, Jair Bolsonaro está detonando Sergio Moro. Um integrante da cúpula da PF disse para O Globo, como revela O Antagonista: “Quem nomeia o diretor-geral é o ministro da Justiça. Então, o que aconteceu é mais uma das estocadas do presidente no Sergio Moro.”. Mais adiante, no mesmo portal, Janaina Paschoal comentou da seguinte maneira a fritura de Sergio Moro por parte de Jair Bolsonaro: “Um verdadeiro militar sabe que hierarquia significa respeitar quem está acima, mas também implica saber respeitar quem está abaixo. Quem quer ser respeitado precisa mostrar que faz jus ao respeito. O Brasil, verdadeiramente, acima de tudo!”. Perfeito!

Mas não foi apenas sorte que Bolsonaro teve na eleição. O seu governo está caminhando para dar a ele um título que ele nunca teria: o de bom articulista e administrador. Nesta tarde, mais uma senadora assinou manifesto pedindo a Jair Bolsonaro o veto integral da Lei de Abuso de Autoridade: Rose de Freitas, do Podemos. Agora já são 33 senadores que pedem o veto integral ao malfadado Projeto de Lei de Abuso de Autoridade. Pelo regimento, se o presidente da República vetar integralmente a nova lei — o que líderes de seu partido já disseram ser impossível –, como revelado por O Antagonista novamente – o veto será avaliado, primeiramente, pelos senadores, uma vez que o projeto nasceu no Senado. Se o veto for mantido, conforme o regimento, ele nem precisará ser analisado pelos deputados. Para melhorar, a votação é nominal. Não duvidamos que ele venha a vetar, mas, como ele só vê Bolsonaro acima de todos, pode entrar na pauta a indicação do filho para a embaixada americana.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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