CEJDS pronto para implantar o Novo Ensino Médio

CEJDS ampliará carga horária em 2020 (foto: Landisvalth Lima)

Se depender da direção do Colégio Estadual José Dantas de Souza, em 2020, a carga horária da escola deve passar das atuais 1000 horas para 1200 horas de aulas por ano, para alunos matriculados na 1ª série do Ensino Médio. A SEC Bahia já avisou que as escolas com 800 horas anuais terão 200 a mais em 2020, mas ainda não revelou como ficarão as que já possuem mil horas. A mudança está prevista na Lei nº 13.415/2017, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e estabeleceu uma mudança na estrutura do ensino médio em todo o país.

O CEJDS já fez uma experimentação este ano com a implantação do 6º horário em todos os turnos e não houve transtornos. A questão está apenas em ajustar horários do transporte escolar, o que depende muito da Prefeitura Municipal de Heliópolis. Até novembro deste ano a decisão será tomada. O subsecretário da Educação, Danilo Souza, diz que os detalhes dessa mudança estão em discussão e que, por isso, ainda não está definido se essa hora a mais será no começo ou no final das aulas. No José Dantas, as aulas começariam às 7 horas da manhã, encerando às 12:20. Pela tarde, as aulas seriam iniciadas 12:40 e terminariam às 18 horas. No turno noturno, o início ficaria às 18:20 e iria até às 23 horas.

O objetivo é melhorar o desempenho do Ensino Médio na Bahia. Para Danilo, “Percebemos que nos países que têm resultados melhores no ensino, os estudantes passam mais tempo na escola, existem mais horas de estudo. As questões ainda estão sendo discutidas porque precisamos levar em consideração diversos fatores. Isso está sendo feito no âmbito da Secretaria e será feito também nas escolas”, afirma.

Muitos especialistas dizem que tais mudanças não darão certo. Para a doutora em Educação e professora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Rosemary Oliveira, mais do que a ampliação da carga horária, é preciso que haja uma mudança na formulação das aulas. “O problema da educação no Brasil é estrutural. A gente pode falar do Ensino Médio, mas ele vem desde como a gente pensa o que é a educação e a importância dela. Precisamos de investimento de verdade, capacitar os professores e repensar como essas disciplinas estão sendo trabalhadas nas escolas”, pondera.

É estranho que ninguém toca no ponto mais crucial: como este estudante está chegando ao Ensino Médio? Parece proibido dizer que o problema pode estar no Ensino Fundamental. A própria Rosemary Oliveira parece distante da realidade quando afirma que as pesquisas mostram também que falta criticidade nos estudantes brasileiros, mas acredita que esse déficit é provocado pelo excesso de conteúdo que precisa ser trabalhado em sala de aula. É difícil aceitar a ideia de que a base pode estar com problemas.

Mas uma coisa todos concordam: o problema só será plenamente resolvido com o Ensino Médio Integral. “O certo seria que os alunos ficassem o dia inteiro na escola, então, essa ampliação poderia ajudar nesse sentido, mas como é que vai ser distribuído esse tempo? Os professores que estarão essa 1h a mais vão usar dos mesmos métodos de ensino? O que eu tenho visto dessa ampliação é formação para empreendedorismo”, acrescenta Rosemary.

É sempre possível melhorar métodos de ensino, mas dizer que o conteúdo é o problema parece paranoia. Este mesmo conteúdo é dado nas escolas particulares, muitas vezes pelos mesmos professores. Por que será que o empenho na escola privada é infinitamente superior à escola pública? Na Bahia, levantamento que consta no Anuário da Educação mostrou que apenas 4,7% dos estudantes desse ciclo de ensino têm proficiência adequada em Matemática. Muitos não sabem fazer uma conta de divisão de um só número. Então a solução é retirar o conteúdo para resolver o problema?

No Colégio Estadual José Dantas de Souza há pouquíssimos professores que ensinam de forma improvisada ou fora da sua área de atuação, embora, na Bahia, o número de professores não licenciados em exatas e que lecionam Matemática ainda é significativo. Também, o investimento per capita é baixo na Bahia. O Anuário traz também que o estado é o 5º que menos investe por estudante, cerca de R$ 3 mil por aluno. Claro, o governo precisa fazer sua parte, melhorando a estrutura da escola pública. Mas o maior de todos os problemas reside no desinteresse do alunado. Quando se quer aprender, todas as deficiências são superadas.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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