CEPJO passa por momento crítico e pede socorro

O Colégio Prof. João de Oliveira precisa de um governo que valorize a educação de qualidade (foto: CNNPV)

O Colégio Estadual Professor João de Oliveira – CEPJO – única escola de ensino médio do município de Poço Verde, passa por momento extremamente crítico e está pedindo ajuda. Isto ficou evidente num texto publicado nas redes sociais, assinado pela professora Ina Valéria Silva Freitas. O texto se intitula “Carta Aberta à Sociedade” e diz que o CEPJO, apesar de colocar próximo de 50 alunos em faculdades e universidades pelo Brasil, estabelecendo um recorde de aprovações, não tem condições de oferecer um ambiente digno para que os alunos, professores e funcionários possam desenvolver suas atividades com tranquilidade. Revela o texto que “as condições nas quais o colégio se encontra, estrutura física precária, falta de funcionários, desvalorização do magistério, representam um verdadeiro descaso e desmando do Governo do Estado de Sergipe e da Secretaria de Educação do Estado” com a escola.   

Detalha o texto que “há anos, solicitamos melhorias para que possamos desempenhar competentemente nossas ações. Entre elas estão às reformas e ampliação do colégio – inclusive, nem temos uma sala para os professores na escola”. Mais adiante pede “melhoria na parte elétrica, construção de quadra, refeitório, aumento do número de funcionários administrativos, merendeiras, coordenador pedagógico, auxiliar de limpeza, e até diretor, pois estamos sem direção no CEPJO.” Há salas de aula sem ventiladores ou com uns poucos que funcionam mal. “Já vivenciamos até incêndios nos aparelhos em horário de aula, causando uma agonia generalizada ao nosso público estudantil. Com a temperatura média de nossa cidade beirando aos 40 graus, com salas de aula com média de 40 a 50 alunos, torna-se desumano, o que dificulta a prática pedagógica e o aprendizado.”, explica o texto da professora Ina Valéria.

Outro problema relatado é a queda de energia constante. A rede elétrica é deficitária e não suporta a carga diária de eventos. Para completar o drama, a instituição está com sérios problemas com relação ao transporte escolar, que agora está sendo ofertado pela Prefeitura Municipal de Poço Verde. “Este ano de 2020 foi implementado o sexto horário para as turmas dos primeiros anos do turno vespertino, logo as aulas são das 13h às 18h20min. Os demais alunos dos segundos e terceiros anos esperam o término do turno para assim serem transportados para as suas residências. Importante frisar também que o corpo discente vespertino vem da zona rural. O problema é que os ônibus que os transportam também trazem os alunos que estudam à noite, acarretando um atraso de, no mínimo, 30 minutos do horário de início das aulas.”, relata. 

O que está acontecendo ao João de Oliveira é a assinatura nítida da incapacidade do governo de Sergipe como gestor. Nunca a educação foi priorizada, nem mesmo nos momentos de pujança do estado. Todos sabem que, nas crises, prioriza-se aquilo que é motor para o desenvolvimento, por exemplo, educação e saúde. Os problemas vividos pelo CEPJO caducam. Entra governo e sai governo e a escola patina com as faltas e carências, mesmo apresentando desempenho satisfatório. Se olharmos para os últimos dois governos, perceberemos que eles nem mesmo fazem questão de nomear um dirigente para a escola. Não é a primeira vez que o João de Oliveira fica um bom tempo sem direção.

Curioso é que, se fizermos uma conta séria, veremos que quase todos os políticos de Poço Verde apoiam o atual governo e lutaram para que Belivaldo Chagas continuasse a governar Sergipe. Não seria o momento de todos se unirem e exigirem a recuperação da instituição? Há governos que deixam marcas positivas e acabam por solidificar historicamente seus gestores. As marcas do governo Belivaldo inexistem. Não se pode nem dizer que ele é um governo ruim porque ele não governa. É inerte, insosso, sem gosto, sem nada. Será banido da história porque foi sem nunca poder ter sido. Enquanto isso, o CEPJO pede socorro, ou melhor, a educação de Sergipe pede socorro. A carta à sociedade foi referendada por todos os professores e professores do Colégio Estadual Professor João de Oliveira.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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