CGU encontra rombo de quase 200 mil em obras de Helânio e novela das contas de 2016 não terminou

As contas de uma administração desastrosa atormentam Helânio Calazans

A novela da aprovação ou não da prestação de contas do ex-prefeito Helânio Calazans ainda vai demorar alguns capítulos, mas a certeza de que a administração daquele alcaide está atolada até o pescoço em problemas ninguém mais tem dúvida. As contas, referentes ao ano de 2016, foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios – TCM. Cabe agora à Câmara referendar ou não o parecer daquele tribunal. E parece que as doenças não querem deixar. A votação estava marcada para a última terça-feira (27) e foi adiada por falta de quórum. Para piorar a situação, a CGU – Controladoria Geral da União – encontrou um rombo de quase 200 mil nas contas do mesmo Helânio, desta vez no ano de 2014.   

Conforme noticiou o portal Sertão em Pauta, o regimento interno Câmara Municipal de Cícero Dantas estabelece que são necessários nove votos para uma decisão contrária àquela do TCM. Por coincidência, apenas oito parlamentares estavam presentes. Da oposição, só o experiente Nininho de Nedito, que jurou ter ido os vereadores Jackson Almeida (MDB) e Nenê de Nedito (PRB) prestar solidariedade a Eugênia de Evangelista (Avante), portadora de grave problema de saúde. Além destes, mais dois vereadores faltaram por outros problemas. Preocupado em resolver os graves problemas de corrupção, para proteger os vulneráveis pobres, verdadeiras vítimas deste câncer que corrói as contas públicas, o vereador José Domingos (PT) criticou a ausência dos seus colegas, achando tudo aquilo muito estranho.

Enquanto a novela parece caminhar para o fim bem mais adiante que o esperado, outra bomba cai no colo de Helânio Calazans. Em informações colhidas no BNews, uma auditoria feita pela CGU, após denúncia do Ministério Público Federal – MPF – apontou prejuízo de R$ 187.281,52 na construção de seis Unidades Básicas de Saúde feitas pela prefeitura de Cícero Dantas, em 2014. As irregularidades apontam que, dos investimentos totais de R$ 2.203.200,00 em recursos federais, obras executadas pela LF Construções e Serviços Ltda, ficou evidenciado o direcionamento dos processos licitatórios e sobre-preço na aquisição de materiais de construção.

Mas a coisa não fica só por aí. A empresa executora da obra não tinha estrutura física, funcionários nem equipamentos para realização dos serviços. Em todas as obras foram utilizadas mão de obra de funcionários da própria prefeitura. Além disso, superfaturamento, pagamento sem a devida prestação do serviço e o não funcionamento de 3 das 6 unidades, após decorridos três anos e meio do seu início. Terminou? Claro que não: também apresentavam diversos problemas construtivos. No fim das contas, a CGU foi até benevolente. Se ela fizer as contas direitinho, verá que o rombo é muito maior.

Fato é que só um milagre para salvar Helânio Calazans! O parecer da casa legislativa está pronto e é também pela reprovação das contas do ex-prefeito. Curioso é a satisfação dos políticos que apoiam a atual administração ao dizer que reprovaram as contas de Weldon e agora vão enterrar Helânio. Será que eles acham que o atual prefeito está bem na fita ou é apenas a satisfação de saber que não estão sozinhos chafurdando na lama?

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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