CNTE suspende atos públicos, mas mantém greve geral

Fazer greve geral em meio a uma pandemia não ajuda a educação (foto: Gibran Mendes)

Seguindo a determinação da falta de espírito coletivo que vem tomando conta das ações dos homens e mulheres públicos no Brasil, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação insiste na manutenção da greve geral para a quarta-feira (18). Em nota, a CNTE diz que “em razão da pandemia do COVID-19 em nível planetário e do registro crescente de casos de contaminação pelo coronavírus em território nacional, a CNTE, unida na luta pelo bem-estar de nossa sociedade, anuncia a suspensão dos atos públicos agendados para o dia 18 de março, quando será realizada a Greve Geral da Educação e em Defesa dos Serviços Públicos.”. Ou seja, os atos estão cancelados, mas a greve acontecerá.

O órgão classista não leva em consideração que poderá haver suspensão das atividades escolares em breve, caso haja a transmissão comunitária do novo coronavírus. A greve geral poderia ser suspensa e o trabalho de conscientização ser feito pelas redes sociais, sem atrapalhar o dia letivo. Seguindo o radicalismo bolsonarista, que não suspendeu as manifestações do dia 15 passado e pode ter contribuído para agravar ainda mais os problemas, a CNTE parece não estar preocupada com a situação da educação, embora passe a ideia de estar contra “as desmedidas do atual governo, que atentam contra o patrimônio e os serviços públicos do Brasil, entre os quais, a educação pública.”

Estranho ainda é que o Sindheli, Sindicato dos Servidores Públicos de Heliópolis, adira a um movimento que não tem pé e nem cabeça para este momento. A pergunta é em que isso vai melhorar a nossa situação? Paramos um dia, ficam todos em casa e… Se fosse para reclamar do Piso Salarial, até que se aceitava. Entretanto, a prefeitura de Heliópolis já garantiu o pagamento com a integralidade do aumento nacional proposto. Parar agora por um apelo de órgão nacional, num momento de ameaça de uma pandemia, é injustificável. A única coisa que vai chamar atenção é o Covid-19.

Estamos com um ano letivo ameaçado por uma pandemia e, enquanto os órgãos de saúde, do município, do estado e do governo federal, dão exemplo de eficiência na luta contra a expansão do vírus, alguns políticos, sindicalistas e radicais, movidos por interesses ideológicos ou de poder, não conseguem, nem mesmo por breve momento, colocar de lado sua logística egocêntrica e praticar algo que represente a segurança da coletividade. Seguindo o bom exemplo, os professores do Colégio Estadual José Dantas de Souza não vão fazer a paralisação. Espera-se que o Sindheli reveja sua decisão.

     Nota: O Sindheli, em comunicado do seu presidente Agnaldo Almeida, feito ao editor do Contraprosa, disse que houve uma reunião da executiva do sindicato e o movimento foi mantido. Disse que a luta dos professores não se resume apenas ao Piso Nacional e reafirmou a agenda do CNTE. Estranhamente, a secretaria municipal de educação entrou em contato com o Colégio Estadual José Dantas de Souza e comunicou que não haverá transporte para os alunos da zona rural nesta quarta-feira. Cabe informar que o transporte não serve apenas aos alunos da rede municipal e os professores da rede estadual não aderiram ao movimento. As aulas do CEJDS estão mantidas. 

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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