Debate ao vivo acaba em agressão ou O dia de fúria de Augusto Nunes

Todos sabem do equilíbrio impecável do jornalista Augusto Nunes. Apresentou durante anos o Roda Viva da TV Cultura e ficou conhecido nacionalmente. Por suas ironias apimentadas, principalmente mostrando as incoerências e atos negativos dos políticos, é tratado pela esquerda como “fascista” e pela direita como “radical”. Quando um jornalista não agrada aos extremistas fica clara a sua independência. Ocorre que há sempre o nosso dia de fúria e Augusto Nunes não aguentou ser chamado por Glenn Greenwald, ao vivo no programa Pânico da Jovem Pan , de covarde. Partiu para agressão e a coisa degringolou.

Em nota, a Jovem Pan lamentou a briga envolvendo Augusto Nunes e Glenn Greenwald durante o Pânico e se disse “defensora vigilante dos princípios democráticos, do pluralismo de ideias e da liberdade de expressão”. Informou na nota que sempre “abriu suas portas para convidados de diferentes campos ideológicos e com opiniões dissonantes, para que cada brasileiro formasse seu juízo tendo acesso a visões variadas sobre os temas mais relevantes do momento”. Por fim, disse que “a liberdade de expressão e crítica concedida pela Jovem Pan a seus comentaristas e convidados, contudo, não se estende a nenhum tipo de ofensas e agressões” . Em seguida, repudiou com veemência comportamentos agressivos e pediu desculpas “aos ouvintes, espectadores e convidados desta edição do Pânico, inclusive Glenn Greenwald”.

Augusto Nunes também divulgou uma nota lamentado o episódio e pediu para não praticarem o que ele fez, pois ele quer um país onde possa torcer pelo Fluminense no meio da torcida do Flamengo. Veja a íntegra da nota:

“Já no início do programa Pânico desta quinta-feira, 7 de novembro, o convidado Glenn Greenwald voltou a acusar-me de ter recomendado à Justiça, num comentário em os Pingos nos Is, que lhe retirasse a guarda dos dois filhos. E pela terceira vez, agora pessoalmente, qualificou-me de ‘covarde’.

Em resposta, expliquei que ele não havia compreendido que meu comentário fora apenas uma ironia. Lembrei também a Glenn a gravidade da ofensa com que me atingira. Alheio aos sucessivos pedidos que lhe fiz, ele repetiu cinco vezes o insulto. ‘Covarde! Você é covarde!’

Até pensei em abandonar o estúdio. Mas entendi que essa atitude confirmaria o teor das agressões verbais que sofrera. E não resisti ao que me sugeriam a voz dos instintos e honra ferida.

Desde o começo da minha carreira pratico e recomendo que todos pratiquem o convívio dos contrários. Neste 5 de novembro, ao receber o Prêmio Comunique-se, reiterei a disposição de lutar para que seja encerrada a versão política do Fla-Flu que ocorre no brasil há alguns anos.

Lamento o ocorrido. E peço aos ouvintes, espectadores e leitores que evitem traduzir em atos físicos quaisquer discordâncias políticas, e mesmo a indignação provocada por insolências inaceitáveis.

Como disse na festa de premiação do Comunique-se, no meu mundo sempre será possível torcer pelo Fluminense no meio da torcida do Flamengo. Sem ofensas aos torcedores adversários.”

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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