Eleições podem ser adiadas para 2022

Ministro Barroso afirma que adiamento das eleições só com o Congresso Nacional (foto: O Globo)

O Covid-19 está fazendo um estrago sem tamanho no Brasil e no mundo. Além de atrasar tudo, do ano letivo das escolas aos projetos econômicos e sociais, o novo coronavírus está sendo usado como argumento para o adiamento das eleições municipais deste ano. Há basicamente três propostas: adiar para 2021, prorrogando os atuais mandatos por mais um ano; adiar para 2022, unificando, finalmente, as eleições em todos os níveis; e adiar para dia 13 de dezembro, proposta do deputado petista Paulo Guedes.

Dificilmente encontraremos algo unânime. Há uma epidemia de prefeitos tão ruins neste Brasil que a última coisa que estes municípios querem é adiar o pleito. Se for para adiar, há uma pequena vantagem para a unificação do processo eleitoral em 2022, grita de muitos deputados amplamente divulgada na imprensa. A proposta com menor apoio é a do adiamento para dezembro, que não muda muita coisa. Jornalistas como José Nêumanne Pinto já solta o verbo e diz que o adiamento é um golpe.

Na região vai ser difícil encontrar um prefeito que seja contra o adiamento, mas há municípios, principalmente aqueles em que aconteceram atrasos de salários e outros problemas, onde os eleitores não veem a hora de poder ir à urna para tentar mudar a administração. Já administradores que cumprem seus papeis vão ter que trabalhar ainda mais para deixar tudo no azul, numa época de dificuldades enormes. Os candidatos, por razões óbvias, principalmente os que lideram as pesquisas, esperam que o coronavírus vá embora e deixe a vida fluir normalmente no seu curso.

Fato é que, caso a pandemia motive realmente o adiamento das eleições, muita coisa será adiada este ano, a começar por campeonatos de futebol, festas populares, ano letivo e outras coisas fundamentais para que o país se desenvolva. Será uma paradeira terrível com estagnação da economia. Num cenário catastrófico como este, a última coisa que pensaremos é em lamentar não ter ido para a urna eleger alguém. Importante mesmo é termos todos saúde para poder reclamar depois das coisas que nunca são resolvidas neste país e aplaudir tudo aquilo que vem dando certo.

Segundo o portal R7, na última quinta-feira (19), os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recusaram um primeiro pedido deste tipo, para adiar um dos prazos da corrida eleitoral deste ano. Tal mudança precisaria ser aprovada pelo Congresso Nacional, decidiram os ministros. No entanto, nos bastidores, ministros do TSE já estudam a possibilidade de ter de adiar pelo menos parte do cronograma do pleito, segundo apurou a BBC News Brasil. Próximo presidente do TSE, o ministro Luís Roberto Barroso teria perguntado ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sobre a necessidade de postergar a votação por conta da disseminação do novo coronavírus. O ministro pediu para aguardar uns três meses para um cenário mais definitivo. Esperançosos mesmos estão os bolsonaristas: em 2 anos, o Aliança Pelo Brasil estaria prontinho para competir em todos os cargos.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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