Encontro de educadores em Paulo Afonso foi positivo, mas haverá resultados?

Fabiano Gama – do CEJDS, Maria Laysa – do Maria Quitéria, e Luana Gabriela – do Polivalente, com a mediadora Maria Neide (foto: Landisvalth Lima)

O formato interessante, o esforço hercúleo e os resultados duvidosos. Talvez esta frase resuma o que foi o Seminário Territorial Saberes e Fazeres, do Plano de Formação Continuada da Secretaria de Educação do Estado da Bahia. O evento aconteceu na última sexta-feira (22), no auditório da UNEB de Paulo Afonso. Dirigentes e coordenadores regionais da SEC debatem com diretores, vice-diretores, professores e alunos das escolas da rede estadual os perfis das ações para os próximos anos, com o desafio do Novo Ensino Médio.

Na abertura houve a apresentação extraordinária do coral estudantil da escola estadual Reis Magalhães, da cidade de Glória, cantando O Hino ao 2 de Julho e músicas de Alceu Valença. Os alunos foram aplaudidos de pé pelos presentes. Na sequência foi posta a primeira mesa diretiva dos trabalhos com o tema das Narrativas sobre as memórias da formação: Itinerâncias e avaliação. Expositores: Cybele Amado, Iuri Rubim, Ana Cristina Rangel e Ione Pedrão – todos do Instituto Anísio Teixeira – os diretores dos NTEs Marcos Pires – NTE 24, de Paulo Afonso – e Francisco César – NTE 17, de Ribeira do Pombal.   

O sanfoneiro Milton Lázaro e seus amigos fizeram os professores caírem no forró (foto: Landisvalth Lima)

A primeira mesa de debates foi organizada logo após. A mediadora foi Ana Cristina Rangel, do IAT, e o tema: O trabalho colaborativo da equipe pedagógica da escola: movimentos e realizações. Raphael dos Santos, do Colégio João Francisco da Silva, de Sítio do Quinto, fez detalhado plano de aplicação das atividades para obtenção dos resultados da prova Sabe/Saeb, considerando os diferentes segmentos da unidade escolar. Na mesma mesa, Emanoel Jackson Barbosa Pereira e Renata Aparecida Dias Alexandre, ambos do Colégio Estadual Maria de Lourdes Lima Pereira, de Barra do Tarrachil – Chorrochó – debateram a Ação envolvendo dados dos resultados das avaliações da unidade escolar, com pesquisa nos sistemas de acompanhamento Power-BI/SGE. Ainda na mesma mesa, Wallace Bezerra Ribeiro, do CTEPI e Marcelo Lima da Silva, do Colégio Estadual São José – de Chorrochó, falaram sobre Atividade envolvendo a prática pedagógica, relacionadas aos indicadores. Por volta das 10 e 30 da manhã, o sanfoneiro Milton Lázaro e seus amigos fizeram muito educador dançar forró. O trio Pé de Serra voltou ao longo do dia, sempre animando os intervalos entra uma mesa temática e outra. Inclusive, o trio fez o encerramento, sempre tocando o autêntico forró.

A mesa temática dois veio logo após a apresentação do sanfoneiro. O tema: O gestor escolar e suas implicações com a gestão das aprendizagens. A mediadora foi Ana Paula, coordenadora do Colégio Estadual Polivalente. Já Sandra Regina Leal Marcula – diretora do Colégio Estadual Reis Magalhães, da cidade de Glória – tratou da implementação de ações interventivas para redução da evasão e/ou reprovação escolar, através da monitoria. A mesa foi encerrada pelo professor José Barbosa Santana – diretor do Colégio Estadual Roberto Santos, da cidade de Paripiranga – que tratou das atividades desenvolvidas que consideram características das juventudes no contexto escolar.

Coral Estudantil Vozes da Valência, do Colégio Reis Magalhães, de Glória. (foto: Landisvalth Lima)

Após o almoço, um tempo para a cultura. A Orquestra Estudantil do Colégio Estadual Carlina Barbosa de Deus, de Paulo Afonso, fez grande apresentação cultural tocando o Hino Nacional e o Hino ao Dois de Julho, além de canções conhecidas das rodas de samba. Logo após foi a vez da mesa temática 3: Espaço formativos na escola e diálogos entre coordenadores e professores. A mediadora foi a professora Maria Ivanilda. O subtema Atividade relacionada à dimensão relacional no momento da AC teve a participação de coordenadora pedagógica Robélia Aragão e da professora Ana Lúcia de Jesus Araújo, do Colégio Estadual Maria de Lourdes, de Nova Soure.

A coordenadora pedagógica Danila Rabello e a professora Elisa de Moura Ribeiro, do Colégio Estadual Roberto Santos, da cidade de Paripiranga, trataram da Partilha de experiência sobre discussão e qualificação do planejamento didático do professor no momento da AC. O grande momento foi quando ambas partilharam como se deu o processo que levou a escola a ser a única pública da Bahia que recebeu medalhas na Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) realizada dias 17 e 18 de agosto, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No final da apresentação, o secretário de educação, professor Jerônimo Rodrigues, ligou para as professoras e parabenizou pelo extraordinário trabalho. Na mesma mesa, a coordenadora Maria Selma Carvalho e a professora Cecília Maria, do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, de Paulo Afonso, trataram de apresentar o trabalho que demonstre a dimensão pedagógica na formação de professores e momentos de AC.

Orquestra Estudantil do Colégio Carlina Barbosa de Deus, de Paulo Afonso. (foto: Landisvalth Lima)

Por fim, a mesa mais esperada foi a que tratou do tema Juventudes: Narrativas sobre aprendizagens. Desta vez, a palavra estava com os estudantes. A mediadora foi a coordenadora pedagógica Maria Neide Targino. Três estudantes falaram de suas experiências de aprendizagem. José Fabiano Gama – do Colégio Estadual José Dantas de Souza – CEJDS – de Heliópolis, Maria Laysa Alves de Jesus – do Colégio Estadual Democrático Quitéria Maria de Jesus, de Paulo Afonso, e Luana Gabriela Alves dos Santos – do Colégio Polivalente, de Paulo Afonso. Foram relatos de encher os olhos porque são estudantes exemplares, que encham de orgulho qualquer escola. Elogios a professores, experiências de vida, paixão pelo aprender deixaram o ambiente cheio de esperança e vontade de continuar a luta. Apenas o estudante Fabiano Gama tocou aqui e ali em pontos negativos, como o fato de colegas não levarem muito a coisa sério e também a questão de se fazer o certo como algo sempre ignorado, mas sem deixar a peteca do otimismo cair. Esconderam muito bem a realidade de que sãos exceções na escola pública.

O formato deste dia foi digno de aplausos. Os técnicos da SEC e seus dirigentes regionais fazem o papel da melhor forma possível, mas há no fundo de cada depoimento uma angústia indizível numa pergunta quase sem resposta: Por que não há melhoras significativas na escola pública da Bahia? Os resultados não aparecem, apesar de tantos esforços e investimentos. Se aumentarmos os esforços e os investimentos, melhoraremos? Sim, mas não o suficiente. Porque há uma coisa que falta: transformar a educação na nossa prioridade. No momento exato do encerramento desta postagem, as ruas da cidade estão cheias de torcedores comemorando o título da Libertadores conquistado pelo Flamengo. Em um ano se chega a um título de futebol, mas em um ano talvez não se consiga alfabetizar alguém. Aprender é cruel. Ensinar também. Parece estar cada vez mais longe a revolução pela educação e ela só acontecerá se mudarmos nossa visão sobre tudo. Mesmo aparelhando as escolas, colocando professores incríveis, aplicando os melhores métodos pedagógicos, o aluno só aprenderá se ele quiser. Que tal começarmos a entender isso?

Diretores regionais Marcos Pires (com microfone) – NTE 24 – e Francisco César – NTE 17, no centro. (foto: Landisvalth Lima)

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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