Ernesto Araújo: Bolsonaro é Jesus Cristo e a imprensa é o antagonista!

Ernesto Araújo vê Bolsonaro como um Jesus Cristo (foto: Conexão Política)

Não é novidade alguns políticos brasileiros saírem por aí se auto comparando à figura de Jesus Cristo. O último a fazer isso foi o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Entretanto, ouvir de um chanceler tal desatino é outra coisa. Foi o que fez o chanceler Ernesto Araújo. Em discurso na cerimônia de formatura dos novos diplomatas do Instituto Rio Branco, elogiou o presidente Jair Bolsonaro, comparando-o a Jesus Cristo. Fez isso de forma emocionada, chegando até a chorar. Jair Bolsonaro estava presente e ouviu perfeitamente quando Ernesto citou trecho do Evangelho que diz que “a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular”. No Evangelho, a pedra angular simboliza Jesus Cristo. Virou messianismo!

“A pedra que os órgãos da imprensa rejeitaram, a pedra que os intelectuais rejeitaram, que os especialistas rejeitaram… Essa pedra tornou-se a pedra angular do edifício do novo Brasil”, completou o chanceler. Ou seja, Bolsonaro será o Jesus Cristo para reconstruir o Brasil. Citando a homenageada da turma de 30 formandos do Instituto Rio Branco, Aracy Guimarães Rosa, em homenagem à esposa do autor de Grande sertão: veredas,  Araújo disse que “diplomacia não significa ficar em cima do muro, nem ficar assistindo em cima do muro esperando ver quem ganha e aí aderir ao vencedor”. “Diplomacia precisa ter sangue nas veias”, disse.

Ainda fazendo menção à Aracy, que no período nazista salvou a vida de dezenas de judeus, Araújo disse que se solidariza aos que sofrem perseguição política atualmente “na Venezuela e em todos os lugares do mundo”. Ao se dirigir aos formandos, o ministro de Relações Exteriores afirmou que o governo luta por renovação e que Bolsonaro admitiu os diplomatas nessa “causa” de maneira inédita. Também orientou os formandos a “pensarem” e “não terceirizarem informações aos meios de comunicação”.

“Nenhum presidente da República valorizou mais o papel do Itamaraty do que o senhor, nenhum teve visão mais clara sobre o papel da política externa para a transformação nacional”, elogiou o chanceler ao dirigir-se a Bolsonaro. E olhem que Bolsonaro está apenas começando seu governo! Araújo contou que, recentemente, Bolsonaro enviou a seguinte mensagem: “enquanto não faltar água no mar, não deixaremos de lutar”. Ele frisou que esse sentimento do presidente o anima. “Temos a oportunidade única de mudar o Brasil e transformá-lo em uma grande nação.” Se isso não for idolatria, não se sabe mais o que é. Ernesto Araújo faz com Bolsonaro o que os petistas fazem com Lula. Já não importa o Brasil, importa O Messias!

Venezuela

Sobre a crise no país vizinho, o chanceler afirmou que o Brasil ajudou “de maneira decisiva a criar uma marcha irreversível de democracia na Venezuela”. Também lamentou pessoas que, segundo ele, torcem a favor “da tirania e do cinismo” no país vizinho apenas por torcer contra o governo Bolsonaro, mencionando entre essas pessoas setores da imprensa. Depois do evento, Araújo afirmou aos jornalistas, que ele tanto critica, que o líder opositor venezuelano Juan Guaidó não foi derrotado no último dia 30 ao convocar a população para pressionar Nicolás Maduro. A interpretação de Araújo foi que houve “avanço” no processo e que a pressão diplomática dos países do Grupo de Lima já fez efeito no país vizinho.

“No Grupo de Lima, hoje, nós queremos deixar muito claro o fato de que o que aconteceu no dia 30, no dia 1º, não é de forma nenhuma uma derrota desse ímpeto pela liberdade, pela democracia. Ao contrário, isso exige que a comunidade internacional continue trabalhando, como vem trabalhando”, disse. O ministro afirmou que os países que apoiam o autoproclamado presidente interino da Venezuela se esforçam para não deixar ser criada uma narrativa, “que seria falsa”, de um retrocesso no processo. Ele enfatizou que houve “um avanço” e que é preciso discutir novos elementos de pressão diplomática sobre a Venezuela. Mais uma vez o chanceler está preocupado mais com a divulgação que com o que de fato aconteceu. A culpa é sempre da imprensa, exatamente como fazem os petistas.

Argentina

Araújo negou que o presidente Jair Bolsonaro apoie a reeleição de Mauricio Macri na Argentina, mas destacou que há uma preocupação do chefe do Planalto com uma eventual eleição de Cristina Kirchner no país vizinho. “Apoio acho que não é bem a questão. Acho que é simplesmente esse nosso compromisso com achar uma pauta, já temos uma pauta muito intensa com o governo Macri”, disse o ministro após almoço com diplomatas formandos do Instituto Rio Branco, no Itamaraty. Ele destacou que Bolsonaro deixou bem claro sua “preocupação” com um retorno de um regime anterior na Argentina. O chanceler afirmou ainda que o governo brasileiro espera desenvolver a relação “independentemente do governo” daquele país. Ernesto Araújo não consegue esconder o óbvio: preocupação da ligação de Bolsonaro com algo que represente fracassos e derrotas. Elementar, meu caro Chanceler!

Com Estadão Conteúdo e Istoé.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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