Escola Maria Dias Trindade promoveu Caravana da Saudade

A professora Jessilene Ferreira, lotada na Escola Maria Dias Trindade, do povoado Antas do Raso, no município de Paripiranga-Ba, pensou numa forma de matar a saudade dos seus alunos. Distanciados há cinco meses, por força e graça da Covid-19, a professora resolveu criar a Caravana da Saudade. A ideia foi logo abraçada pelos colegas e pela direção da escola. O projeto era simples: percorrer os mesmos trajetos que os alunos fazem para chegar à escola. Para isso, a Secretaria de Educação de Paripiranga disponibilizou um ônibus escolar e cada professor foi com seu veículo, ou de carona no ônibus. O evento foi realizado nesta segunda-feira (17).

A direção da escola tomou o cuidado de não promover aglomerações e manter o distanciamento social. Os professores passavam em cada localidade e dialogavam com os estudantes. Mesmo sem abraçá-los, e mantendo o distanciamento, foi possível sentir o quanto a escola faz falta na vida de cada um dos alunos. A diretora da Escola Maria Dias Trindade, Valdiclécia Teles, em nota na redes sociais, disse que “a Caravana da Saudade foi regada de muita emoção e era impossível as lágrimas não rolarem por nossas faces, pois a saudade que sentíamos dos nossos alunos e do convívio com nossa comunidade escolar não cabia em nosso peito.”

A professora Valdiclécia disse que o evento foi uma forma de os profissionais da escola ter contato com os alunos e demonstrar o tamanho da falta que eles fazem na vida de cada um, passando a mensagem dos servidores da escola de que, apesar de período tão difícil, “estamos vivendo de mãos dadas, sem ninguém soltar a mão do outro.”. Depois de agradecer à professora Jessilene Ferreira pela ideia, e aos demais participantes, a diretora afirmou “o conteúdo mais importante, principalmente nesse momento de pandemia, é sobre ser humano, é sobre a vida, é manter vínculo.”

Quem também se manifestou sobre o evento foi o professor José Augusto. Para ele, nesse momento, o que menos cabe é conteúdo convencional. O aluno precisa saber que ele é importante em todo o processo, que ele é fundamental e que o vínculo da escola com a família não pode jamais ser quebrado. Professor Augusto é um dos profissionais que mais ajudou a projetar o nome da instituição a nível estadual e nacional, mas isso só foi possível porque há um forte elo entre a escola e a comunidade. Ele espera que a ideia da professora Jessilene inspire outras instituições da nossa região. Veja vídeo a seguir:

  

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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