Eu quero estar errado!

                                                                                                                                         

                                                                                                                                                       José Socorro

De verdade, como eu quero estar errado. Já chegamos há algumas dezenas de dias sem nenhum caso registrado da Covid-19 em Heliópolis. Até o momento somos o único do semiárido nordeste ll .Fátima poderia entrar junto conosco, porém há uma discordância de dados entre o município e o estado.
Mas, a taxa de isolamento é preocupante em nossa cidade, apesar de sermos o terceiro melhor colocado da região, com 43.7 %, esta porcentagem estar muito abaixo do desejado, que é de 70%. E assim, poderemos ter muitos casos em curto espaço de tempo, como foi o caso do município de Itapicuru, que em um único dia registrou 8 casos, e hoje está com 42 pessoas que já foram infectadas.
Estamos ilhados de casos e, mesmo assim, as coisas continuam soltas. Já alertei e continuo alertando: a qualquer momento poderemos deixar essa zona de conforto e passaremos para o momento do desespero. Isso não é um pensamento pessimista, e sim algo real que pode se abater em nosso município a qualquer momento.
E por que isso está acontecendo? São várias situações que que já deveriam ser sanadas, mas está claro que a política está ofuscando o trabalho de combate ao Covid-19. Estamos em ano de eleições e isso está impedindo que algumas medidas necessárias estejam sendo tomadas. Infelizmente, a política está sobrepondo a real necessidade das autoridades mostrarem as suas atribulações.
Vou elencar aqui alguns pontos que podem nos causar sofrimentos futuros:

1. A falta de respeito de alguns comerciantes, e uma boa parte da população, quanto aos decretos.

2. A inércia daqueles que estão investidos de autoridade, praticamente estão fechando os olhos.

3. A questão política está em primeiro lugar, de ambos os grupos.

4. As medidas de contenção não estão a contento, pois está muito aquém do que é realmente necessário.

5. E a falta de empatia.

E assim vamos seguindo com alguns bares semiabertos, cafuas, festas em espaços fechados, churrascos, aniversários, enfim. Tudo isso acontecendo e as autoridades fechando os olhos. E não é por falta de denúncias ou informações, pelo contrário.

Agora vejam a nossa falta de estrutura na saúde, caso precisarmos de leitos de UTI ou outras demandas de alta complexidade:

1. Não temos unidade de saúde 24 horas, isso desde sua emancipação em 1985.

2. Não temos um número satisfatório de leitos de UTI, muito menos bases do SAMU aqui na região.

3. Não temos nenhuma UTI móvel no município.

4. A nossa referência que seria o HGST, em Ribeira do Pombal, não tem estrutura para receber o nosso povo, concernente ao este vírus.

5. Sergipe, que era a nossa porta de entrada, agora mal está dando conta de cuidar dos seus.

6. As outras opções, em caso de internação, ofertadas a nossa população, estão em Paulo Afonso e Tucano. Este último afirmou que ainda não está pronto para receber pacientes de outros municípios.

Diante dessas problemáticas, fico a imaginar como seria ou como será, caso acontecesse a disseminação aqui no nosso município de forma comunitária. Desejo de verdade que isso não passe de um texto abstrato, que não seja algo real, que saiamos fortes e vencedores e, caso venha acontecer casos aqui em nosso lugar, que seja de grau leve. Autoridades, vocês ainda estão em tempo de rever esses problemas. Façam hoje para não chorarmos as perdas amanhã.

 

O homem que não luta
pelos seus direitos não
merece viver” – Ruy Barbosa.         

* José Socorro é colaborador do portal Contraprosa

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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