Germano Santana, o PT e o fracasso

Servidores de Ribeira do Amparo em greve por salários atrasados (foto: Facebook)

Depois de amargar inúmeras derrotas eleitorais, Germano Santana (PT), chega ao posto de prefeito de Ribeira do Amparo, em 2016, com consideráveis mais de 5.800 votos. Deu uma lapada de 2572 votos de frente. Uma vitória maiúscula, proporcionalmente uma das maiores da nossa região. Com o apoio do governador Rui Costa e com os programas sociais do governo federal, ali o Partido dos Trabalhadores faria a maior e mais invejável administração que a Ribeira merecia e esperava ardentemente. Hoje, às vésperas de mais um novo pleito, o cenário da administração petista em Ribeira do Amparo é algo parecido com terra arrasada pós-guerra.

Antes é preciso dizer que há uma crise, sim. E quando há crise, os bons governantes garantem, primordialmente, a pontualidade da folha de pagamentos. É ela que permite a circulação do dinheiro e mantém ativa e rodando a economia municipal. Germano Santana parece não ter aprendido a lição. Sequer segue a máxima de defender quem o garante no poder: a classe trabalhadora. Apela ao populismo torrando dinheiro em festas e deixa o salário do funcionalismo no primeiro prego, e pendurado. Além de cortar vantagens dos servidores, o prefeito do PT não paga os salários em dia. Os atrasos constantes fizeram os servidores decretarem greve.

Numa entrevista à Rádio Pombal FM, ao invés de contornar a situação com verdades, preferiu a ironia. Disse que era uma meia dúzia de professores e, quase todos, moradores de Cipó. Os servidores estão nas redes sociais em constante mobilização para garantir seus direitos e muitos não imaginavam que um dia teriam que usar as mesmas armas consagradas pelo partido dos trabalhadores contra um prefeito do próprio partido. É a farsa do discurso de uma suposta esquerda que, no fundo, quer apenas se apoderar do poder para, com o dinheiro público, controlar as massas e vender facilidades. Os problemas sempre estarão com os adversários.

Germano Santana é filiado ao PT, mas poderia estar em qualquer partido. Não veio para transformar nada, apenas lutou para chegar no cargo de prefeito. Nunca teve projetos para médio e longo prazo que pudessem transformar a realidade de Ribeira do Amparo. É, como tantos outros prefeitos de nossa região, carreirista político. Poucos por aqui têm o verdadeiro intuito da transformação. O negócio, e é mesmo um negócio, passa pelo uso da mentira para se apoderar do cargo. Uma vez lá, a receita é dançar conforme a música, alimentar os financiadores de campanha e depois construir novamente a dicotomia dos nós contra eles, formando duas torcidas aguerridas em ano eleitoral.

O que poderá acontecer é o óbvio. Tomados pela raiva, com a sede de vingança nos córneos, eleitores correrão para as urnas em 2020 e elegerão quem estiver mais próximo de derrotar Germano. Não importa se haverá um projeto sério de administração. Há até eleitores que se antecipam: cadê o nome bom para votarmos? Estes até se esquecem que tudo é uma questão de construção e planejamento, que nada cai do céu. Tanto quanto o prefeito, os eleitores não estão voltados para o futuro. O imediato é o salário atrasado para pagar as contas que se acumulam. E o que fica amargando na boca é o gosto da vingança.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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