Hidroxicloroquina provoca demissão de Yamaguchi do Einstein?

Ainda pensando no Ministério da Saúde, Nise Yamaguchi perde emprego no Einstein (foto: CNN)

O cargo de ministro deve ser algo extraordinário. Isto porque muitos arriscam suas reputações, construídas ao longo de décadas, para tentar agradar o chefe. Depois do currículo mentiroso do Decotteli, o ministro que foi sem nunca ter sido, agora é a vez de Nise Yamaguchi. Mesmo que todo o mundo inteiro indique a ineficácia da cloroquina para o tratamento da Covid-19, a médica, claramente de olho no ministério da saúde, continua dando corda às crenças de Jair Bolsonaro. Vale tudo para chamar a atenção do presidente. O portal O Antagonista divulgou hoje que Nise Yamaguchi disse ao SBT que foi suspensa pelo hospital Albert Einstein em São Paulo, onde trabalhava. Segundo a oncologista, o afastamento ocorreu por causa de suas declarações em favor do medicamento, o que mancha a imagem do hospital. Disse ela que recebeu uma ligação do diretor clínico do hospital de que não poderia estar mais atendendo pacientes. Ela reafirmou que faz a defesa da hidroxicloroquina porque tem a certeza de que ela cura os pacientes nas etapas iniciais. Vale tudo para conseguir um ministério?

No dia seguinte a esta postagem, a direção do Hospital informou que Yamaguchi foi suspensa e não demitida. Também não descartou a possibilidade de desligá-la definitivamente da instituição. O motivo não foi somente a cloroquina, mas um discurso considerado ofensivo pela direção do Hospital Albert Einstein. Trata-se de uma comparação feita pela médica da instituição durante uma entrevista à TV Brasil, veiculada no domingo passado. Na ocasião, Nise fez uma analogia entre o medo que a população sente da pandemia e a situação dos judeus na época do holocausto. O hospital já estava cismado com a cloroquina, mas foi a comparação feita que culminou com a suspensão do Einstein.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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