Já estamos com 100 mil mortos, e daí?

Os mortos se multiplicam e o governo central não se toca (foto: São Paulo de fato)

Chegamos ao patamar inimaginável e, tudo indica, estamos apenas no meio da guerra. Fato é que o Brasil acaba de superar a marca histórica e trágica de 100 mil mortes por Covid-19. Os números chegaram no início desta tarde, divulgados pelo consórcio de veículos de imprensa. O total de óbitos registrados no país é de 100.240, com 2.988.796 casos da doença. Poderemos ainda esta noite chegar aos 3 milhões de contaminados. O Brasil é o segundo país em todo o mundo a superar 100 mil óbitos por Covid-19. Os Estados Unidos atingiram a marca em 27 de maio.

Enquanto isso, um país está em frangalhos. Até mesmo o agronegócio vai ter dificuldades em escoar a safra de grãos elevadíssima, isso por causa da pandemia. A saúde passa por seu mais trágico teste e a educação, que já não era boa, praticamente parou no tempo. Precisaríamos aqui de várias linhas de textos para relatar nosso fracasso. Além daqueles problemas que já tínhamos e foram agravados pela Covid-19, novos surgiram para nos assombrar.

Várias nações estão aproveitando este momento de crise para ajustar normas e condutas, renovar ideias, mudar coisas que incomodam o bem-estar das pessoas. E o Brasil? Bem, por aqui os velhos hábitos continuam. Perdemos tempo com discussões imbecis, tipo o uso da Cloroquina. Negamos a ciência para revelar curandeiros de plantão. Já há inclusive terapias de esquerda e de direita que beiram um certo medievalismo tupiniquim. Assistimos a um presidente da república ir a um enterro de um paraquedista que morreu, e deveria, mas o mesmo nunca sequer mostrou disposição para lamentar uma morte ocorrida pela Covid-19. Até mesmo a explosão ocorrida no Líbano teve a atenção de Bolsonaro, mas morrer contaminado pelo coronavírus sempre mereceu dele um silêncio ensurdecedor.

Para completar o nosso caos, a corrupção campeia e destrói verbas usadas para salvar vidas. Há um ministro da saúde que é um interino eterno e um ministro do meio ambiente que quer destruir matas e dizimar tribos indígenas. O governo Bolsonaro é tão ruim que aquilo que funciona no governo de bom, que é muito pouco, não tem a devida divulgação. Só recebe atenção aquilo que é piegas, medieval, anacrônico e incompetente. Da rachadinha ao gabinete do crime, do uso de armas aos gastos do cartão corporativo… Enfim, uma República de Bananas. Lamentável é saber que morrerão mais outros tantos mil e que a preocupação central não é como dizimar o coronavírus, mas como não deixar que Sérgio Moro seja candidato em 2022.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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