João Gilberto – João Gilberto Prado Pereira de Oliveira

De Juazeiro, na Bahia, para ser Pai da Bossa Nova (foto: Divulgação)

Nascido em Juazeiro, Bahia, em 10 de junho de 1931, João Gilberto Prado Pereira de Oliveira foi o criador ou pai da Bossa Nova, estilo que revolucionou a música brasileira. Em 1959, ao lançar o disco Chega de Saudade, com Tom Jobim, iniciava ali um estilo que musicalmente tomou conta do mundo, unindo o Jazz e o Samba em notas dissonantes, com canto suave e preciso. João Gilberto morreu neste sábado (06), aos 88 anos, no apartamento onde morava, no bairro do Leblon, na zona sul. Morreu em silêncio, sob o impacto de brigas na família pelo legado que construiu, sem a divulgação da causa mortis.

O baiano de Desafinado tinha temperamento difícil. O gênio dentro de si era capaz de cancelar um show horas antes por um simples motivo banal, como saber que o local tinha muito ruído e o ambiente refrigerado desafinava os instrumentos. Era preciso, metódico e genial. Em Salvador, certa vez, fez um show no Parque da Cidade. Só foi possível depois de a produção do evento desligar todos os sons das barracas. O artista só subiu ao palco após ter certeza de que sua música não seria atrapalhada por ruídos. O espetáculo começou às 5 da manhã e o público saiu de lá completamente recompensado.   

O corpo do pai da Bossa Nova será enterrado nesta segunda-feira (08) no cemitério Parque da Colina, em Niterói, em um jazigo da família, às 16h. O velório do músico, aberto ao público, realizou-se no foyer do Theatro Municipal, no Centro do Rio. Sua filha, Bebel Gilberto, fruto do seu casamento com Miúcha (Irmã de Chico Buarque de Holanda), estava em turnê nos Estados Unidos, mas voltou ao Brasil neste domingo para se despedir do pai. Já João Marcelo, filho dele com Astrud Gilberto – sua primeira esposa, e o mais velho, que mora em Nova Jersey, nos EUA, não virá ao Brasil para o enterro, por problemas relacionados ao visto de permanência naquele país.

A família de João Gilberto era de músicos e isto foi decisivo para escolha da profissão. Na adolescência fez um grupo musical: Enamorados do Ritmo. Em Salvador, aos 18 anos, virou crooner da Rádio Sociedade da Bahia. Foi para o Rio de Janeiro em 1950. Lá montou a banda Garotos da Lua, que se apresentava na Rádio Tupi. Foi afastado do grupo por indisciplina e pouca dedicação. Depois foi para Porto Alegre, passou um tempo em Minas Gerais, sempre estudando violão.

Em 1958, participou como violonista no disco de Elizete Cardoso, com canções de Tom Jobim e Vinícius de Morais. Em março de 1959, a gravadora Odeon lançou o disco “Chega de Saudade”, iniciando aí o tripé da Bossa Nova: João Gilberto, Vinícius de Morais e Tom Jobim. No ano seguinte vem “O Amor, o Sorriso e a Flor”, da música “Samba de Uma Nota Só”. Aí já está casado com Astrud Gilberto e nasce João Marcelo, primeiro filho. Em 1961, lançou “João Gilberto”, LP da música “O Barquinho”. Nos Estados Unidos é lançado o disco “Brazil’s Brilliant João Gilberto”. No ano posterior participa do show O Encontro – com Vinícius de Morais, Tom Jobim e o grupo vocal Os Cariocas. Apresentou-se no Carnegie Hall de Nova York, nos Estados Unidos, no Festival de Bossa Nova. Passa a morar por lá e lança o álbum “The Boss of the Bossa Nova”.

Mas é o ano de 1963 o fundamental da carreira de João Gilberto, quando ele grava com o músico Stan Getz o disco “Getz/Gilberto, só lançado em 1964. “Garota de Ipanema” é desse disco e alcança o mundo inteiro. João Gilberto viaja da Itália ao Canadá. Em 1965 recebeu o Grammy de Melhor Álbum pelo disco com Getz. Termina o casamento com Astrud e se casa com a cantora Miúcha. João Gilberto também se apresenta no programa “O Fino da Bossa”, da TV Record. No ano seguinte nasce sua filha Bebel Gilberto.

Em 1969, vai para o México e lá vive por dois anos. Participou de festivais de jazz em Guadalajara, Cidade do México e Puebla. Fez vários shows e recebeu o troféu Chimal. Em 1970 lançou o LP “João Gilberto em México”. Em 1971, participou do especial realizado pela TV Tupi, ao lado de Caetano Veloso e Gal Costa. Neste mesmo ano volta a Nova York e participa de temporada com Stan Getz no Rainbow Grill.

Em 1980 voltou a morar no Brasil, fixando-se no Rio de Janeiro, participando de várias gravações e shows. Nesse mesmo ano grava o especial “João Gilberto Prado Pereira de Oliveira”, que contou com a participação de Bebel Gilberto e Rita Lee. Em 1986, se apresentou no Festival de Montreux, na Suíça. Sua participação foi gravada e lançada no CD duplo “Live at the Montreux Festival”. Em 1987, recebeu do governo brasileiro a Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, no grau de Comendador. Em 1994, apresentou-se no Palace de São Paulo, tendo como convidada a sua filha Bebel Gilberto, gravando ao vivo para o CD “Eu Sei Que Vou Te Amar”.

Os últimos lançamentos de João Gilberto foram: “João, Voz e Violão” (2000), que recebeu o Grammy na categoria Best World Music Álbum, e o CD “João Gilberto in Tokyo” (2004). Depois de longo período fora dos palcos, em 2008 apresentou-se no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, celebrando 50 anos da Bossa Nova. João Gilberto viveu seus últimos anos no seu apartamento no Leblon, Rio de Janeiro. Sua filha mais nova é Luísa Carolina Gilberto, filha de sua empresária Cláudia Faissol.

 (Com auxilio do E Biografia)

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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