Limão com Mel foi a melhor banda do São Pedro de Heliópolis 2019

Destaques para Alaelsom do Acordeom, Poizé e Forró das Gringas. Aduílio Mendes foi o melhor cantor. Adelmário Coelho é o oconcur do evento e Arthurzinho a aposta.

Adma e suas backing vocals em um momento do show de Limão com Mel (Foto: Landisvalth Lima)

Foi um ano difícil para escolher os melhores que se apresentaram no São Pedro de Heliópolis. Todos os dias havia uma apresentação ou outra que chamava atenção. A sexta-feira, 1º dia, foi bem recheada de atrações e o dia de menor público, principalmente pela chuvarada que caiu. Isso, porém, não foi motivo para maiores problemas. Os cerca de dez mil presentes vibraram e dançaram debaixo de sombrinhas e guarda-chuvas. Sem dúvida, a banda Limão com Mel foi a apresentação top da noite e do São Pedro 2019. São inúmeras as razões: repertório para agradar a gregos e troianos, concatenação interpretativa entre Diego Rafael, Adma Andrade e Raphael Marrone, os cantores. Fica até difícil dizer o que é melhor na banda, mas é preciso destacar o guitarrista Thales Milano. O que este rapaz faz com as cordas do instrumento é uma covardia. Além disso, uma estrutura fantástica e organização ímpar. A banda nasceu em Salgueiro-PE, filha legítima da banda Talismã. Está há 26 anos na estrada e parece que continuará por muitos anos. Para não dizer que não falamos das flores, as performances conhecidas de Paixão Ardente e Marcelino Morais cumpriram seus objetivos e fizeram o povo dançar.

Aduílio Mendes chama Beto Fonseca para cantarem juntos (foto: Landisvalth Lima)

 

Mas não foi só isso que nos trouxe a sexta-feira. Precisamos olhar um pouco para a banda de Alaelsom do Acordeom. Este ano, o melhor sanfoneiro da nossa região acertou a mão com Nanda Moreira como vocalista. No show do São Pedro, ela estava um pouco rouca, mas quem entende um pouquinho só de música percebe a afinação perfeita. É uma cantora que faz da voz dela o que bem quer. Os outros componentes da banda não ficam devendo nada a nenhum outro. Só precisam de visibilidade e crença no sucesso. Ainda na sexta tivemos Aduílio Mendes, o ex vocalista da banda Magníficos. Seu show está centrado na sua extraordinária interpretação e nos sucessos que marcaram sua carreira, mas é preciso olhar mais para a banda e para o show como um todo. É uma aposta personalística, entretanto, até quando ela durará? Não poderia ser diferente, Aduílio foi o melhor cantor do São Pedro 2019.

Sábado de Ouro

Winnie, da Banda Forró das Gringas (foto: Ana Dalva)

As atrações do sábado foram diversas. Começando por Jm e Seus Teclados e a promessa Adilson Costa, imperadores do Arrocha sofrêncio. Depois toma conta o Leandro da Pisadinha para ninguém ficar parado. Cumpriram seus papéis amplamente. Mas ainda havia três shows e uma dúvida. Arthurzinho foi a prata nova da casa. Ainda é uma criança, mas apostamos todas as fichas na sua consolidação como artista. Além disso, recebeu um bom incentivo fazendo uma dobradinha com Danniel Vieira, e não decepcionou. Mas o show mais esperado era o de Danniel. Também inteiramente personalíssimo, como o de Aduílio Mendes, com o diferencial de ter uma banda de peso. Já bem conhecido do público de Heliópolis, Danniel Vieira fez um grande show e procurou justificar cada centavo recebido.

A atração seguinte seria o grande destaque da noite e a banda que poderia desbancar Limão com Mel e Danniel Vieira. Forró dos Plays era esperada pelo público como a melhor da noite. Não aconteceu. A banda fez um show comum, abaixo do nome que leva, sem, contudo, ser deprimente. É aquele típico caso de não estar num dia feliz. Depois dos Plays, era a vez da dúvida. Seu nome era esquisito: Poizé. O Contraprosa foi ao camarim do cantor e fez entrevista exclusiva com ele (veja o vídeo com participação do jornalista Jorge Souza). Prometeu um show de primeira e o fez. Logo que subiu ao palco e cantou a primeira música, deixou todos com a certeza de que seria a revelação do São Pedro. E foi. Embora estivesse nervoso, muito mais para mostrar que era bom do que revelando ser um peixe fora da água, Poizé fez um show marcante. Nas redes sociais há falas que dizem “o melhor show deixaram para as 4 da manhã”. A banda já deixou fãs e garantiu o passaporte para o São Pedro 2020.

Domingo da saudade

O domingo do São Pedro de Heliópolis 2019 não ficou na rebarba dos outros dois dias. Prisioneiros do Arrocha, Oz Mallas e Gilberto na Moita cumpriram fielmente o papel de segurar a barra enquanto seu nego não vem. Inclusive, Oz Mallas se apresentariam após o show de Peruano e foi antecipado para logo após Adelmário Coelho porque o ex de Cavaleiros do Forró chegou somente às 4 da manhã. Mas vamos começar com a banda Forró das Gringas. O diferencial este ano foi a presença de três cantoras: Winnie, Raíra e Amália, além de um repertório bem variado, que fugiu um pouco da repetição insistente de algumas músicas. A interpretação de Winnie estava impecável. Aliás, Forró das Gringas teria apenas Raíra e Amália, mas Winnie, que está morando em Bogotá, na Colômbia, fez questão de vir para cantar no São Pedro de Heliópolis. A formação da banda estava perfeita, embora ainda cometa o pecado de alguns intervalos indevidos. Mas estava longe de tirar o brilho das meninas ao se colocarem como o destaque do dia.

Alaelsom e banda com a cantora Nanda Moreira (foto: landisvalth Lima)

Sim, sabemos que havia um Adelmário Coelho no palco, um Adelmário Coelho no palco havia. E não é pouca coisa, mas não podemos aqui estabelecer uma disputa com uma banda de tanto sucesso e com uma estrutura invejável. Adelmário faz sempre a união de músicas novas com velhos e extraordinários sucessos do passado, honrando nomes como Trio Nordestino, Luiz Gonzaga, Zé Sereno, Dominguinhos e tantos outros. Fica aqui oconcur. Não dá para disputar com ele. São 25 anos de estrada fazendo sucesso com forró autêntico. Só a fila que se formou para tirar fotos com o cantor é algo invejável. Vai continuar fazendo sucesso por longos anos, usando sempre o tradicional. Adelmário Coelho é a garantia da imortalidade do forró. Não poderíamos encerrar sem falar no destaque da banda de Adelmário: o sanfoneiro Jéfferson. O rapaz de Cruz das Almas nem olha para o teclado e parece que a sanfona é um órgão do seu corpo. Um músico espetacular. Já a banda de Peruano trouxe o forró eletrônico também tradicional, sem maiores inovações. Mais um bom intérprete com canções consagradas. Por fim, tudo se acaba, mas não morre. Fica de boa… na moita!   

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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