Ministro Paulo Guedes pediu demissão, mas ponderou

Uma conversa reservada de Bolsonaro com Paulo Guedes fez o ministro continuar no governo (foto: Poder 360)

Reportagem do portal Congresso em Foco, divulgada nesta terça-feira (18), afirma que Paulo Guedes quase deixou o governo Bolsonaro. Segundo a reportagem, após se encontrar a portas fechadas com o presidente Jair Bolsonaro, Paulo Guedes deixou o Palácio do Planalto ainda como ministro. Guedes ouviu apelos de Bolsonaro e dos ministros Augusto Heleno (GSI) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), que também participaram da reunião, para continuar no governo. Mesmo inclinado a entregar o cargo, ele resolveu continuar – até quando não se sabe – para tocar sua agenda liberal. O argumento usado para dissuadi-lo foi de que sua saída do ministério agora poderia representar o fim precoce do governo Bolsonaro. Para Bolsonaro, perdê-lo agora seria desastroso para a continuidade de seu governo. Por isso, se reuniu com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e líderes partidários para tentar amarrar com o Legislativo os principais pontos da pauta econômica em 2020, como as reformas tributária e administrativa

A reportagem do Congresso em Foco diz ainda que desde que assumiu o comando da Economia, com status de superministro, Paulo Guedes já ameaçou diversas vezes entregar o cargo. Sem nunca ter ocupado uma função pública, e com conhecido pavio curto, Guedes dá sinais de que sua insatisfação está atingindo o ponto máximo. Nos últimos meses, o ministro tem se aborrecido com o presidente Jair Bolsonaro e o núcleo bolsonarista.

“Está difícil segurar”, disse uma fonte próxima ao ministro ao Congresso em Foco. O ministro tem comentado com pessoas próximas que, se resolver deixar o governo, pretende expor os seus verdadeiros motivos. O principal motivo hoje da irritação está na reforma administrativa. Guedes pretende fazer mudanças profundas nas regras para o funcionalismo público. Mas Bolsonaro tem dito, inclusive publicamente, que não pretende mexer com os atuais servidores, o que desagrada ao ministro.

A reportagem lembra que Paulo Guedes é o chamado “Posto Ipiranga”, apelido dado pelo presidente ainda durante a campanha eleitoral para indicar a autonomia que daria a ele. Só que o ministro sente que não tem o poder que imaginaria ter. Acha que tem perdido dinheiro por ter se afastado dos seus negócios e que tem sido criticado por tudo o que faz ou fala. Para Guedes, o entorno de Bolsonaro tem estimulado críticas a ele e à sua forma de conduzir a Economia. “Eles só pensam em eleição”, desabafou o ministro com amigos.

Interlocutor eventual da equipe econômica, o deputado Marcelo Ramos (PL-AM), que presidiu a comissão especial da reforma da Previdência na Câmara, diz que os conflitos entre o presidente e o ministro da Economia eram previsíveis. “Por mais que eu discorde do Guedes algumas vezes, ele é um homem que tem coerência, é um liberal. Já o Bolsonaro sempre foi e jamais deixará de ser um populista que compra as piores causas corporativistas. É difícil uma convivência pacífica”

Por fim, disse Congresso em Foco que, para receber o ministro da Economia no fim da tarde desta terça, o presidente dispensou empresários e outros convidados que participariam do lançamento do programa Brasil Mais, do próprio Ministério da Economia, sem maiores explicações, irritando os presentes. Antes da reunião entre eles, Jair Bolsonaro foi questionado por jornalistas sobre uma possível insatisfação do ministro, rumor que circulou em Brasília nesta terça. “Se o Paulo Guedes tem alguns problemas pontuais, como todos nós temos, e ele sofre ataques, é muito mais pela sua competência do que [por] possíveis pequenos deslizes”, disse Bolsonaro. “Eu já cometi muitos [deslizes] no passado. O Paulo não pediu para sair. Aliás, eu tenho certeza de que, assim como um dos poucos que eu conheci antes das eleições, ele vai ficar conosco até o nosso último dia”, acrescentou.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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