Nem Dona Elza nem Bem-criado

A escola precisa de um nome ligado à educação (foto: MEC)

Poço Verde, cidade do centro sul sergipano, completa hoje 67 anos de emancipação. Todos os que aprenderam a amar esta cidade desejam do fundo da alma melhores dias para seu povo, mas algumas coisas acontecem e revelam fatos que não aparecem a olhos nus. O prefeito municipal enviou um projeto de lei de nº 1009/2020, que marca o início da era da construtora JFilhos no domínio político, administrativo e econômico do município de Poço Verde. O projeto quer mudar o nome da Escola Municipal Antônio Carlos Valadares para Maria Elza Nunes da Silva, conhecida por Dona Elza, mãe do vice-prefeito eleito e do proprietário da referida construtora, falecida no último 6 de setembro. O secretário de educação, o contabilista Mário Almeida, publicou texto sugerindo o nome de Antônio Ribeiro Sobrinho (Bem-criado), que já foi vice-prefeito e prefeito de Poço Verde, e tem uma relação mais próxima com o bairro da Vaquejada, onde está localizada a escola.

Antes de mais nada, é preciso retirar o nome do ex-senador e governador Valadares. O nome está lá porque este país não respeita Leis. Também não se quer aqui duvidar da justa homenagem que se pode prestar a Dona Elza, como cidadã poçoverdense, mãe e esposa. Seu valor aqui não está em jogo. De igual modo, são relevantes e importantes os serviços que o nome Bem-Criado prestou na divulgação do município em suas incansáveis vaquejadas país a fora. Mas, nenhum nem outro são nomes coerentes que possam justificar a identificação nominal da maior escola do município. Estamos falando de educação. Escolas precisam de nomes que identifique o alunado com um saber científico, pedagógico, heroico, revolucionador. Os nomes sugeridos são plausíveis para uma rua, um bairro, uma vila, um povoado, uma praça.

O nome de Bem-criado cairia melhor que o de Dona Elza para dar nome ao bairro da vaquejada. O de Dona Elza seria perfeito para nominar a principal avenida do povoado São José. Tudo se encaixa perfeitamente quando as coisas têm relação com o histórico de cada um dos homenageados. Eles não se relacionam com o processo educacional. Se o nome de Dona Elza for cravado na escola, será o início, de fato, da era JFilhos na prefeitura. É o poder do apoiador sobre o apoiado. Se o nome findar sendo o de Bem-Criado, é porque a velha guarda do grupo Oliveira ainda tem alguma voz. Repito, ambos são inadequados. Então, por que não começarmos bem esta nova fase de Poço Verde, homenageando realmente quem merece? Que tal Escola Municipal de Ensino Fundamental Dimas Rabelo, professor morto em 25 de junho de 2016, que foi vereador, secretário de educação e diretor regional da DRE de Lagarto? A Câmara Municipal de Poço Verde está com a palavra!

Em tempo: Fomos informados por vários leitores de que já há uma escola com o nome do professor Dimas Rabelo, a Escola Agrícola. Outros professores e professoras, já falecidos, podem muito bem emprestar nome à escola. A discussão continua aberta.      

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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