O baiano que quer acabar com a Operação lava Jato

Augusto Aras: o PGR que quer sepultar a Operação Lava jato e virar santo salvador dos corruptos (foto: UOL)

De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”

O texto acima é conhecido. Também é conhecido o seu autor: Ruy Barbosa. O Baiano que honrou seu estado no senado, e que disputou várias vezes a cadeira de presidente da república, jamais imaginaria que outro baiano, no cargo de Procurador Geral da República, pudesse lutar pelo sepultamento de uma das ações que mais deu esperanças aos brasileiros nos últimos tempos: a Operação Lava jato. De igual modo, ninguém imaginaria que o homem que quer sepultar a maior instituição renovadora da fé na República fosse justamente o filho de um dos mais conhecidos batalhadores pela democracia, o ex-deputado Roque Aras.

Além de desonrar a história do pai, o procurador geral da república, Augusto Aras, coloca-se como porta-voz daqueles que usaram a corrupção para consolidar a continuidade no poder. E Aras não está agindo para combater os erros da Operação Lava Jato. Ele quer a sua eliminação completa, total, absoluta. Claro que, numa operação gigantesca como foi a Lava Jato, é impossível o não cometimento de erros. Pois então, vamos corrigi-los! Querer acabar com uma operação vitoriosa como esta é estar a serviço de empresas e políticos corruptos. É um desserviço à nação.

O ex-juiz Sergio Moro, segundo o portal O Antagonista, reagiu aos ataques de Augusto Aras à Lava Jato, feitos ontem numa conversa ao vivo na Internet com advogados lulistas, e transmitida pela TV do Partido dos Trabalhadores. É um absurdo! Disse Moro que “criticar a Operação Lava Jato é ignorar que ela foi uma obra coletiva, envolvendo todas as instâncias, inclusive STF.” Augusto Aras já vinha criticando a força-tarefa de Curitiba nos bastidores, mas ontem escancarou seu plano para que o lavajatismo não perdure. Já há políticos condenados querendo canonizar o filho de Roque Aras como o protetor dos corruptos desesperançosos  

No bate-papo com o grupo Prerrogativas, segundo ainda O Antagonista, Aras justificou a iniciativa de copiar todo o banco de dados da Lava Jato como uma medida de “transparência”, para que as informações sobre mais de 38 mil pessoas não sejam usadas para “chantagem e extorsão”. Então os procuradores da Lava Jato são chantagistas? O Procurador, contudo, não apresentou provas de suas graves acusações. Mas as declarações já estão servindo de munição para que o PT tente ressuscitar a ideia de uma CPI da Lava Jato.

O senador Alessandro Vieira reagiu no Twitter à última manifestação de Augusto Aras, que disse ter chegado a hora de acabar com o ‘lavajatismo’. Segundo ele, o PGR usa o “garantido de araque” como fachada para beneficiar “os bandidos que roubam o país desde sempre”, segundo O Antagonista. “Vamos denunciar a atuação cínica do PGR como porta-voz dos ataques à Lava Jato, tentando esconder sob o manto de um garantismo de araque os reais interesses de quem sempre quis “estancar a sangria” e “zerar o jogo”, beneficiando os bandidos que roubam este país desde sempre.”, afirmou o senador sergipano.

Vieira afirmou ainda que a corrupção “não é questão de ideologia, mas sim de caráter”. “A soma de corrupção e impunidade destrói os sonhos de um Brasil mais justo. Repetem o roteiro italiano, onde o casamento de corruptos, oportunistas e populistas espalhados nos 3 Poderes sepultou a operação Mãos Limpas.”. Fato é que Ruy Barbosa deve estar em prantos de lamento lá no seu túmulo. Não é possível que, depois de tanta luta contra a corrupção, um procurador, nomeado por um presidente eleito com uma agenda anticorrupção, que rompeu inclusive com a tradição para nomear um PGR, seja exatamente aquele que dará o combustível aos corruptos para continuarem a saquear a coisa pública.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

Deixe uma resposta