O Brasil foi expulso das eleições
O Brasil não quer saber de debater o Brasil em ano eleitoral
Num período eleitoral, o que menos se debate no Brasil é o próprio Brasil. A espetacularização, o ódio fabricado ou real, a polarização e outras doenças sociais são elementos fundamentais para percebermos que o interesse da atual classe política nunca foi e nunca será solução para alicerçar um futuro progressista do país.
O foco das campanhas e dos debates públicos se concentra na personalização da política, com candidatos e partidos discutindo mais uns com os outros do que debater os problemas estruturais do país. A narrativa vira uma disputa de biografias, escândalos e ataques pessoais. O caso do desfile da Escola de Samba no Rio de Janeiro prova a pobreza dos nossos supostos representantes.
O que há é uma polarização ideológica. Em vez de discutir soluções concretas para saúde, educação, infraestrutura ou desigualdade, o debate se reduz a rótulos e trincheiras ideológicas. Se a Acadêmicos de Niterói tivesse debatido o tema da corrupção, por exemplo, nem mesmo seria notada e talvez até se saísse melhor, selando sua permanência no grupo especial.
O problema é que a política virou uma espécie de marketing eleitoral. Os slogans e as estratégias de comunicação ocupam espaço que poderia ser dedicado a propostas detalhadas. O eleitor recebe mais frases de efeito do que planos de governo consistentes. O cotidiano externo ganha espaço, por exemplo, enquanto questões locais e práticas — como saneamento básico ou mobilidade urbana — ficam em segundo plano.
Tudo isso cria um paradoxo: o período em que o país deveria se olhar no espelho e discutir seu futuro é justamente aquele em que se fala menos de Brasil e mais de “quem contra quem”. Essa ausência de debate sobre o país real beneficia um grupo específico e deixa a multidão sem rumo. Em 2026, poderemos dizer: o Brasil é o grande ausente das eleições brasileiras.
