O Gênero Lírico

Gênero Lírico, Lirismo, Poética ou Poesia

Conceitos importantes para iniciar:

Cultura:

1 – Todo fazer humano que vai de uma geração a outra. Conjunto e integração dos modos de pensar, sentir e fazer de uma comunidade.

Arte:

1 – Expressão, transcendência.

2 – Instrumento que permite ao homem dialogar com necessidades abstratas, sublimes e, quase sempre, inexatas.

3 – Tipos: música, pintura, escultura, teatro, dança, arquitetura, cinema e literatura.

4 – Vai além das habilidades humanas.

5 – Revela o mundo. É espelho do mundo. Diz, talvez, o que já disseram, mas de uma forma especial.

6 – Exata como a ciência, crente e mística como as religiões, reflexiva como a filosofia, independente e interativa.

Literatura:

1 – Arte da palavra, da manipulação da palavra, mímese (Aristóteles). O escritor particulariza, pinta, esculpe, representa, marca, expressa e dinamiza a palavra.

2 – É o dizer o novo ou o que já foi dito, mas de forma a sempre surpreender.

Gênero Lírico

Características:

1 – Apresenta como tema os sentimentos, as emoções, os estudos de alma, as impressões subjetivas.

2 – Expressa uma visão de mundo.

3 – Na Grécia os textos eram cantados e acompanhados de liras.

4 – Pode se apresentar em prosa, verso ou ser representado.

Estrutura do poema:

Poema é uma estrutura que pode conter o objeto poético. É um objeto literário com existência material concreta. Pode apresentar forma diversa: fixa ou variada.

      O Soneto, por exemplo, é um poema de forma fixa, composto por 14 versos.

Pode ser apresentado em 3 formas de distribuição dos versos:

      1 -Soneto italiano ou petrarquiano: apresenta duas estrofes de 4 versos (quartetos) e duas de 3 (tercetos)

      2 – Soneto inglês ou “Shakespeareano”: três quartetos e um dístico

      3 – Soneto monostrófico: apresenta uma única estrofe de 14 versos.

A estrofe:

É um conjunto estruturado de versos de um poema.

Tipos de estrofes:

          1. O monóstico – um verso
          2. O dístico  – dois versos
          3. O terceto  – três versos
          4. A quadra (ou quarteto) – quatro versos
          5. A quintilha – cinco versos
          6. A sextilha – seis versos
          7. A heptilha ou sétima – sete versos
          8. A oitava – oito versos
          9. A novena – nove versos
          10. A décima – dez versos
          11. Bárbaras (11 ou mais)

Verso:

Menor unidade de significação do poema. Frase ou segmento frasal em que há um ritmo nítido e sistemático. Poder ser regular ou livre.

A lista geral de designações é a seguinte:

  1. Monossílabo : 1 sílaba poética
  2. Dissílabo : 2 sílabas poéticas
  3. Trissílabo : 3 sílabas poéticas
  4. Tetrassílabo: 4 sílabas poéticas
  5. Pentassílabo ou Redondilha Menor: 5 sílabas poéticas
  6. Hexassílabo ou Heróico Quebrado: 6 sílabas poéticas
  7. Heptassílabo ou Redondilha Maior: 7 sílabas poéticas
  8. Octossílabo: 8 sílabas poéticas
  9. Eneassílabo: 9 sílabas poéticas
  10. Decassílabo (heróico ou sáfico): 10 sílabas poéticas
  11. Hendecassílabo ou Undecassílabo: 11 sílabas poéticas
  12. Dodecassílabo ou Alexandrino: 12 sílabas poéticas.
  13. Bárbaros: 13 ou mais sílabas poéticas.

Escansão e métrica:

Metro é a medida do verso. O estudo do metro chama-se metrificação, e escansão é a contagem dos sons dos versos. As sílabas métricas, ou poéticas, diferem das sílabas gramaticais em alguns aspectos. Lembraremos alguns preceitos a esse respeito:

1 – contam-se as sílabas ou sons até a tônica da última palavra de um verso.

2 – deve-se observar as elisões das vogais.

Exemplo:

Amo-te,ò cruz, no vértice firmada

A-mo-te,ó-cruz,-no-vér-ti-ce-fir-ma/da = 10 (decassílabo heróico)

Amor é vogo que arde sem se ver

A-mor-é-fo-go-que ar-de-sem-se-ver = 10 (decassílabo heróico)

De esplêndidas igrejas

De es-plên-di-das-i-gre/jas = 6 sílabas

Minha mulher expirou

Mi-nha-mu-lher-ex-pi-rou = 7 sílabas

E as breves

E as-bre/ves = 2 sílabas

Virgem das dores

Vir-gem-das-do/res = 4 sílabas

Rima
Coincidência ou semelhança de sons a partir da última vogal tônica.

Ó minha amada
Que olhos os teus
S
ão cais noturnos
Cheios de adeus
S
ão docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe dos breus

(Vinicius de Morais- Poema dos olhos da amada)

Tipos de rimas:

     Interna – no interior dos versos e estrofes.

Cravado foi Prometeu

Santificado é meu nome

Labirinto é cabra cega

Teu instinto me consome

(Landisvalth Lima – eu e Ela)           

     Externa – No final dos versos

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento. 

(Cecília Meireles – Motivo)

    Rica – Com palavras de classes diferentes.

Lá, fugido ao mundo,      (substantivo)

Sem glória, sem fé,          (Substantivo_

No perau profundo         (adjetivo)                  

E solitário, é                      (verbo)

(Manuel Bandeira – Os sapos)

    Pobre – Com palavras da mesma classe.

Quero beber! Cantar asneiras   (substantivo)

No esto brutal das bebedeiras    (substantivo)

(Manuel Bandeira – Bacanal)

   Soante perfeita – Sons idênticos.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da fl
or!
– V
ê que nem te digo – esperança!
– V
ê que nem sequer sonho – amor!                      

(Cecília Meireles – Murmúrio)

   Soante imperfeita – Sons parecidos.

 Somos muitos Severinos
iguais em tudo na v
ida:
na mesma cabe
ça grande
que a custo
é que se equilibra,         

 (J. C. de Melo Neto – Morte e vida severina)  

   Toante – Só a vogal tônica, quando acompanhada, deve rimar.

Entreabre a boca encarnada num sorriso perpétuo

Adonde alumia o Sol de oiro, dos dentes

(Mário de Andrade – Cabo Machado)

    Aguda Com palavras oxítonas.

Depois, o areal extenso…
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos… desertos só...

 (Castro Alves – Navio Negreiro)

   Grave Com palavras paroxítonas.

Depois, o areal extenso…
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso 
Desertos… desertos só…

 (Castro Alves – Navio Negreiro) 

  Esdrúxula Com palavras proparoxítonas.

Eu, filho do carbono e do amoníaco,

Monstro de escuridão e rutilância,

Sofro, desde a epigênesis da infância,

A influência má dos signos do zodíaco.

(Augusto dos Anjos – Psicologia de um vencido)

 

Interpolada 1º verso da estrofe rima com o último, exclusivamente.

Meia noite.  Ao meu quarto me recolho.               A

Meu Deus!  E este morcego!  E, agora, vêde:       B

Na bruta ardência orgânica da sede,                      B

Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.       A

(Augusto dos Anjos – O morcego)

Emparelhada Versos rimando em sequência duo, trio….

No centro da taba se estende um terreiro,      A

Onde ora se aduna o concílio guerreiro          A

Da tribo senhora, das tribos servis:                 B

Os velhos sentados praticam d’outrora,          A

E os moços inquietos, que a festa enamora,  A

Derramam-se em torno dum índio infeliz.       B

 (Gonçalves Dias – I-Juca-Pirama)

Alternada Uma rima seguida de outra imediatamente diversa.

          Pus o meu sonho num navio             A

          e o navio em cima do mar;                B

         – depois, abri o mar com as mãos,    C

         para o meu sonho naufragar             B               

                                                           (Cecília Meireles – Canção)

Opostas Uma sequência seguida de outra imediatamente oposta.

Factor universal do transformismo.      A

Filho da teleológica matéria,                 B

Na superabundância ou na miséria,                  B

Verme — é o seu nome obscuro de batismo.    A

(Augusto dos Anjos – O Deus-verme)

Misturadas Quando não for possível uma sequência lógica.

Naqueles tempos ditosos       A

Ia colher as pitangas,             B

Trepava a tirar as mangas,     B

Brincava à beira do mar;         C

Rezava às Ave-Marias,           D

Achava o céu sempre lindo,    E

Adormecia sorrindo                 E

E despertava a cantar!           C

(Casimiro de Abreu – Meus oito anos)

Especiais (Raras) Obedecem unicamente à lógica da criação.

Virá que eu vi

Tranquilo e infalível como Bruce Lee

O axé do afoxé Filhos de Gandh  

(Caetano Veloso – Um índio)

Vocabulário crítico:

Versos assimétricos – de vários tamanhos

Versos isométricos – de tamanhos idênticos

Verso regular ou clássico – obedece às normas do metro

Verso livre – não segue nenhuma norma

Verso branco – metrificado e sem rima

Verso solto – está só na estrofe

Enjambement (cavalgamento) – o sentido de um verso é complementado no seguinte.

(Professor Landisvalth Lima)

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

Deixe uma resposta