O invisível não escolhe vítimas e Alaelson do Acordeom & Gilberto Alves

                                                                                                José Socorro*

Socorro hoje contribui com dois artigos. (Foto: Arquivo do autor)

O invisível não escolhe as vítimas

A Covid-19 está a todo momento convidando todas as classes para o cenário da morte, sem distinção. Penetra sem convite em qualquer meio social, não respeita as fronteiras e muito menos os poderes bélicos dos países mais ricos. Pois a arma do vírus está instalada de forma precisa e difícil de ser controlada. Está a todo tempo em movimento frenético e devastador.

A maior arma do vírus é o nosso corpo e a nossa ignorância no trato dessa pandemia. Como consequência, o que vemos são milhares de pessoas, de todas as idades, morrendo e sendo infectadas todos os dias. E, de forma democrática, este vírus está matando a todos, sejam as pessoas do senso comum tão quanto as grandes personalidades de nível mundial.

A Covid-19 não distingue se se tem casta, se é um brâmane ou um dalit, se é negro ou branco, se tem fortuna ou não. Enfim, está levando para as sepulturas gregos e troianos.
No dia em que a humanidade deixar o imediatismo e os atos de irresponsabilidades de lado, talvez tenhamos grandes chances de nos sobressairmos com muitas vidas salvas, pois estamos nos dando com mais uma situação endêmica (o vírus continuará presente) e, assim sendo, estamos em risco de vivermos várias ondas catastróficas desse vírus.

Os números só crescem diariamente em todo o mundo. Estamos chegando a meio milhão de mortes e próximo dos 10 milhões de infectados. No Brasil, devemos chegar aos 60 mil óbitos ate o fim do mês, sem esquecer que ultrapassamos 1,2 milhão de infectados. O nosso estado, a Bahia, hoje está próximo dos 55 mil casos positivos e deve chegar a 2 mil de vidas ceifadas até o último dia de junho.

Em Heliópolis, o gestor baixou um novo decreto, que entrou em vigor dia 23 de junho, e vai até o próximo dia 02/07/2020. Espero que dessa vez os decretos sejam respeitados pelos comerciantes e por nós quanto população. E que as autoridades se portem como manda o figurino: primeiro a vida, o restante fica para outro momento. E que Deus clareie as mentes dos cientistas para que descubram várias vacinas, o mais breve possível, para que possam imunizar os mais de 7 bilhões de pessoas em todo o mundo.

Alaelson do Acordeon & Gilberto Alves

Infelizmente, por motivo de força maior, este ano não teremos a nossa tradicional festa anual, o grandioso São Pedro de Heliópolis. Desde de 1987 vem atraindo e alegrando multidões, não só de Heliópolis como de tantas outras cidades próximas ou distantes. Ainda contamos com as presenças dos nossos conterrâneos que moram em outras regiões e estados desse país gigante.

Já aconteceram 33 edições magníficas desse evento, que tem no calor humano e na receptividade da nossa gente, o cartão postal. É um período de grande alegria e movimento em todo o município. É a oportunidade de reencontros com os amigos e familiares que moram distantes. É algo contagiante.

Aqui se apresentaram vários artistas renomados, como Genival Lacerda, Luis Gonzaga (o Rei do baião), Alcimar Monteiro, Flávio José, Adelmário Coelho, Dominguinhos, Dorgival Dantas e tantos outros. Sem esquecer das muitas bandas modernas que aqui já marcaram presença também, como Limão com Mel, Gatinha Manhosa, Mala 100 Alça, Cavaleiros do Forró etc.

Mas não podemos pensar no São Pedro de Heliópolis sem vincular a estes dois artistas da nossa terra, que há décadas se apresentam com maestria. São os artistas que iniciam e finalizam o nosso grande evento. O Sr. Alaelson do Acordeon é o nosso sanfoneiro arretado, que a cada ano nos surpreende com a sua arte. Por muitas vezes, dentro das dificuldades do meio artístico, ele consegue montar um grupo musical em pouco tempo e se apresenta com muita personalidade e qualidade artística. O Sr. Gilberto Alves, o popular (Na Moita) é outro artista veterano da nossa terra. Há muitos anos tem a incumbência de encerrar com chave de ouro o nosso São Pedro, e por vezes vai até as 12:00 horas da segunda-feira.

Espero um dia que estes dois artistas recebam a honraria de uma moção de congratulação ou de aplausos do poder legislativo de Heliópolis, enquanto vivos eles estiverem. Que Deus nos abençoe e que o nosso cotidiano normal retorne o mais breve possível.

*José Socorro é funcionário público da área da saúde e colaborador do portal Contraprosa.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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